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Chega de Fiu Fiu

Atualizado em 24/03/15 09:48.

Cantadas de rua são também uma forma de abuso sexual

Por: Thais Alves

24/03/2015

 cantada

Foto: Campanha Chega de Fiu Fiu

 

Uma mulher passa pela rua e todos os olhares masculinos são direcionados para ela, alguns assovios, um “gostosa” vindo de algum canto qualquer e um amigo olha para o outro com ar de aprovação. Essa poderia ser uma cena passada em qualquer lugar comum ou até mesmo fazer parte de uma propaganda de tv, o que seria visto por muitos como algo normal. Para Inajara Salles, estudante do Instituto Federal da Bahia (IFBA) a cantada não é o mesmo que flerte e a situação é naturalizada na sociedade.

 

Inconformada com essa situação a estudante e algumas amigas resolveram escrever, em cartazes, as cantadas que já ouviram e espalharam pelo campus em que estudam. O ato fez efeito e muitos estudantes se concientizaram. Mas a represália também ocorreu e vinda principalmente de um grupo formado só por homens, que rasgou e pinchou os cartazes com dizeres ofensivos as garotas. Para a estudante o grupo conseguiu levantar a questão e colocá-la em discussão, “por mais que tenha sido uma escala tão reduzida, foi à escala que a gente pôde atingir no momento, tenho certeza que muitos repensaram suas atitudes desde então”, completa.

 

Campanha Chega de Fiu Fiu

 

A campanha Chega de Fiu Fiu é uma campanha contra o assédio sexual em espaços públicos criado pela jornalista e blogueira Juliana Faria. Segundo ela, a iniciativa da campanha veio quando, cansada do assédio de rua passado por ela e por tantas outras mulheres quis aprofundar no assunto, mas não encontrou nenhuma pesquisa ou dados e foi ai que resolveu fazer sua própria luta contra o problema. “O assédio sexual em locais públicos é tratado como uma não-questão. É um monstro invisível” e “por isso, criei a campanha Chega de Fiu Fiu, para dar cara e tamanho para o assédio sexual”, declara.

 

Inicialmente Juliana Faria decidiu fazer uma pesquisa sobre o tema, abordando diversas mulheres sobre suas experiências com o assédio de rua. Em 5 horas de divulgação, os resultados foram compartilhados por mais de 10 mil pessoas. Nos dias seguintes, a mídia tradicional se pautou pela pesquisa. Para a jornalista a campanha pode provar como as mulheres não sentem segurança em atos como caminhar pela rua e como as agressões são vistas por todos como algo natural, além de serem tratados como algo corriqueiro.

 

Para Juliana, a campanha se tornou um estopim do assunto em nível nacional e fortaleceu o movimento contra o assédio, ocasionando em debates em universidades e matérias na mídia tradicional.

 

Fonte FIC

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