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Torcidas Organizadas: a proibição que pune o futebol

Atualizado em 24/03/15 09:33.

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Por Álvaro de Castro

Há cerca de dois anos atrás, o promotor Goiamilton Antônio Machado, da 70ª Promotoria de Justiça de Goiânia, proibiu a entrada das três maiores torcidas organizadas dos estádios de futebol do Estado de Goiás. Com isso, Força Jovem do Goiás, Dragões Atleticanos e Esquadrão Vilanovense foram impedidas de participarem das praças esportivas goianas. Excluindo a entrada de bandeiras, camisas, instrumentos, ou qualquer outro tipo de utensílio que mecionasse as organizadas.

A medida foi reafirmada em 2015.O juiz Eduardo Tavares dos Reis, da 14ª Vara Cível de Goiânia, manteve a liminar. Acrescentando a torcida Sangue Colorado ao montante. Organizadas de outros estados também estão excluídas dos estádios goianos. Apesar da tentativa, e mais ainda, da reafirmação do impedimento, o que se vê na prática, é uma medida arbitrária e antiquada.

Longe de serem anjos, porém, a proibição dos torcedores uniformizados nos estádios goianos, conseguiu retirar, talvez, o principal (e único), ponto positivo das mesmas: a festa dos estádios. Quem acompanha o futebol, se acostumou a ouvir o ritmo da bateria, a agitação de bandeiras e os cantos ritmados vindos das arquibancadas. O Serra Dourada é um estádio frio, sem emoção, diversos fatores levaram a isso. Incontestavelmente, esse é um deles.

A culpa é do futebol?

Os principais problemas, envolvendo violência, são fora dos estádios. A partir daí, qual é culpa do futebol nisso? Que tipo de perigo um instrumento de bateria poderia ter ao torcedor que leva seu filho no Serra Dourada? A desmedida decisão, já se mostrou falida em outras experiências. Não só em Goiás. Ampliando a visão, nos anos 90, após inúmeras mortes supostamente ligadas ao futebol e as torcidas organizadas. A maiores agremiações do estado de São Paulo foram proibidas. O que se viu na prática, foi o aumento da violência.

Não é preciso ser nenhum especialista, muito menos fazer uma pesquisa longa e avançada sobre o tema. A violência entre as organizadas goianas não provêm apenas do ódio pelo clube rival. Vai muito mais além. Ou o que explica membros da Esquadrão Vilanovense e Sangue Colorado, ambas ligadas ao Vila Nova, entrarem em confronto cotidianamente dentro e fora dos estádios.

Entender a estrutura de funcionamento de uma torcida organizada seria o primeiro passo para diminuir a violência no futebol goiano. Em 2014, o Goiás foi a equipe mais penalizada por problemas de violência em jogos. O Vila Nova também teve transtornos parecidos.

Solucionar a violência, não só no esporte, mas em todos os âmbitos, é dever do poder público. Restringir e acabar com os festejos do futebol é um desrespeito ao torcedor. Não sou advogado de nenhuma agremiação organizada. Posso parecer um saudosista, e realmente sou. A saudade de rever o Estádio Serra Dourada lotado e vibrante permanece. No ritmo da percussão, defendendo o retorno da festa do futebol aos estádios.

fonte: FIC

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