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A chique sustentabilidade dos brechós

Atualizado em 26/11/14 16:06.

O reaproveitamento de peças usadas representa alívio para a natureza e para o bolso

Por Nicole Reis

Comprar uma roupa não é ato motivado apenas pela necessidade de estar vestido ou protegido. O estilo de vestir exterioriza valores e modos de pensar sobre a vida, simboliza o pertencimento a grupos sócio econômicos específicos, gostos musicais, além de preocupações individuais e insatisfação perante a sociedade. Os brechós surgem como uma alternativa mais barata, oferecendo ao cliente a diversão de garimpar peças únicas e escolher aquela que melhor combina com seu estilo.


É esta a variedade que encanta o estudante de Moda Fabrício Silva, amante do jeans rasgado e do couro envelhecido. "Tenho preferência por brechós, pois encontro peças raras, com um material diferente, ou modelos que já não são tão usados atualmente. Também gosto muito do vintage, peças de períodos passados, afirma o garoto de 21 anos.


Há quatro anos, Maristela Lima mantém o Requinte Brechó, no Setor Central de Goiânia. Primando pela escolha criteriosa das peças exclusivas, a comerciante está sempre atenta à necessidade de constante inovação. Segundo ela, os brechós são muito procurados por quem busca estilos diferentes da moda tradicional, mas ela também preocupa-se em oferecer peças em voga, a preços bastante inferiores aos originais. "Procuro atender tanto o jovem atrás do Retrô quanto aquele mais moderninho", ressaltou a amante da moda alternativa.


Para Maristela, essencial ao bom funcionamento de um brechó é o amor dedicado pelo organizador às peças que recebe e customiza. Não importa o estilo, o ideal é reaproveitar o vestuário, impedindo que as roupas percam o valor e parem na lata de lixo. A comerciante desabafou acerca do preconceito ainda existente contra a compra de peças usadas: "Muitas pessoas não querem ser vistas saindo da loja".


A Vuelta de Vitória


O tratamento inadequado de resíduos resultantes do tingimento de algodão na indústria têxtil juntam-se a problemas de ordem social: o setor é um dos maiores empregadores de trabalho forçado. Preocupada com estas questões, a designer de Moda, Vitória Ruschel, empenhou-se em dar vida ao projeto Vuelta Al Mundo. A moça teve a ideia de levar roupas usadas a ambientes badalados das noites de Porto Alegre. Ela mesma arrecada e customiza as charmosas peças do brechó ambulante, organizando eventos para vendê-las em bares, boates e cafés.


O Vuelta Al Mundo, criado em maio de 2013, já contou com 32 edições. Em cada uma delas, Vitória busca estimular modos alternativos de vida. Além das araras com peças exclusivas, vendidas a preços acessíveis, a designer aposta em trazer aos eventos produtos orgânicos, cerveja artesanal, xampoos caseiros, pó dental, carteiras de caixa de leite. Tudo a fim de incentivar o consumo consciente, a promoção da sustentabilidade.


Seja pela adesão ao modo de vida sustentável ou apenas pela economia financeira, a compra em brechós tem se tornado um comportamento cada vez mais frequente, em todas as classes. A divulgação da importância social do reaproveitamento de roupas é a principal impulsionadora deste tipo de negócio.

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