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Militarização de escolas públicas gera debate

Atualizado em 26/11/14 16:06.

Decisão tomada pelo governo de Goiás visa diminuir violência escolar, mas tem sido alvo de críticas

Por Nicole Reis

No início do ano de 2014, a Secretaria de Segurança Pública passou a ser encarregada da administração de dez escolas públicas goianas. A resolução do governo do estado transforma estas escolas em colégios militares, caracaterizados pela rígida disciplina, similar à adotada nos treinamentos do exército. As unidades escolhidas situam-se no entorno de Brasília, onde os casos de violência têm se agravado. A medida visa reverter o quadro.

O diretor de cada unidade passa a ser um oficial da Polícia Militar, mas a parte pedagógica continua a ser administrada pela Secretaria de Educação. A coordenadora da área de Juventude e Políticas Públicas da FLACSO , Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, acredita que a ação representa um retrocesso: "Eu acho que esse é um péssimo exemplo, é o decreto da falência na educação, que não deu certo", diz ela.

Divergências

Os alunos deverão utilizar uniformes específicos, cujos preços podem chegar a 600 reais. Além dissso, terão a necessidade de comprarem livros específicos, também onerosos. Será cobrada uma matrícula de 100 reais e mensalidade de 50 reais. Apesar dos gastos, Rosana Godoy, mãe de um estudante, acredita que a mudança trará benefícios: "Eu estou trazendo meu filho pra cá porque estou apostando no ensino, na segurança, pela disciplina que tem”.

Intensos debates são criados em torno da militarização da educação, base da sociedade.“Escolas militarizadas podem deixar pouquíssimos espaços de discussão, de divergência e até de tolerância para que seus alunos possam se manifestar como bem entenderem". E essa a opinião de Rafael Custódio, da ONG Conectas Direitos Humanos. Para ele, elementos necessários à formação do ser humano nas escolas, como criatividade e tolerância, são prejudicados pele hierarquia militar.

Para Vera Telles, professora de sociologia da Universidade de São Paulo, as escolas militares acabam por não "formar cidadãos, mas indivíduos preparados para enfrentar uma guerra". O essencial é que a análise dos efeitos da medida leve em conta sua capacidade em contribuir para a formação de cidadãos livres e conscientes.

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