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Sou dorameiro com muito orgulho!

Atualizado em 09/06/15 08:25.

Séries asiáticas despertam interesse cada vez maior em brasileiros

Por Adriana Rodrigues

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Cartaz do dorama japonês Mischievous Kiss - Love in Tokyo, adaptação do anime Itazura na Kiss (Foto:Reprodução)

 

Lágrimas, risadas, tensão, raiva, são alguns dos sentimentos que costumam ser comuns a quem assiste uma novela de modo envolvente ou a um filme. Mas para quem assiste a doramas esses sentimentos parecem se manifestar de forma sintomática. A empolgação, o orgulho, a alegria e quase um frenesi tomam conta dos dorameiros ao falarem dessa paixão made in Ásia.

Talvez o caldeirão de emoções fervilha devido ao curto espaço de tempo entre o início e o fim da trama asiática. O número de capítulos de um dorama, costuma variar entre 12 e 20, bem menores que uma novela brasileira.

Por outro lado é bem maior que um filme, já que apenas um capitulo tem de 40 a 60 minutos, tão envolvente que faz com que os dorameiros assistam um atrás do outro, muitas vezes, sem parar. E o curioso: eles vivem a história enredada na série junto com os personagens.

A cultura enunciada pelos doramas produzem significados tão fortes, que para muitos jovens assisti-los não é só uma forma de entretenimento ou uma distração, mas passa a ser um estilo de vida.

O contato –mesmo que à distância- com as produções audiovisuais e por conseguinte com a cultura de países do leste asiático, demonstra que a internet é um importante canal de acesso ao oriente, ainda um tanto desconhecido pelo ocidente e principalmente pelos brasileiros.

Influência

A porta de entrada para o universo asiático e dos doramas, geralmente é o Japão. A estudante de jornalismo Letícia Ribeiro e a estudante de Artes Cênicas, Ana Paula Rodrigues já se interessavam por animes e mangás, que são produções japonesas mais difundidas no Brasil.

O primeiro contato de Letícia Ribeiro com doramas, por exemplo, ocorreu ao encontrar - no formato de drama - a versão sul coreana de um live action (espécie de filme) do anime Itazura na Kiss. Ana Paula Rodrigues, por sua vez, procurava uma série estadunidense quando descobriu o dorama japonês Um litro de lágrimas.

A estudante de Relações Internacionais, Marielle Salles também conhecia a cultura japonesa por meio de mangás e da culinária, mas foi com o estilo musical K-pop, que passou a assistir a séries sul coreanas. “Quando meus ídolos foram convidados a atuar, eu conheci o dorama”, relata.

A organizadora de eventos de anime, Sara Tsuki, já gostava da cultura japonesa e assim como Marielle, foi com a música pop japonesa e coreana que conheceu os dramas asiáticos. Da mesma forma, aconteceu com a estudante Larissa Ariel, que além do K-pop, contou com o incentivo de uma amiga.

Recomendação

A indicação de amigos, a propósito, é um dos principais meios pelo quais os jovens tem o primeiro contato com os doramas. A jornalista Kamila Monteiro conheceu as séries por meio de uma amiga do ensino médio, que passou para ela, por pen drive, todos os episódios do dorama japonês Hana Yori Dango, baseado em anime.

As estudantes de Artes Visuais, Isabela Pistelli e Kethryn Evelyn, sempre tiveram interesse por conteúdos de origem oriental como mangás e animes, mas também foi com a indicação de amigas da faculdade que conheceram os doramas.

 

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Cena "Operação porcoelho" do dorama sul coreano You're Beautiful (Foto: Reprodução)

 

Fascínio

Para essas sete jovens, os doramas permitiram a experiência com a cultura tradicional ou moderna da Coreia do Sul, do Japão, da China, Tailândia e Taiwan. Os costumes, comportamentos, educação, ideias, história e claro o idioma que perpassam a narrativa das séries, são elementos que dorama a dorama vão constituir um arcabouço de conhecimentos a cerca desses países.

E não só conhecimento, mas verdadeira paixão. Kamila Monteiro gosta tanto desse universo que resolveu fazer o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) norteado por essa temática. A monografia da jornalista analisou as significações que os doramas sul coreanos produzem em espectadores brasileiros.

Em sua pesquisa, Kamila Monteiro constata que os dorameiros não restringem a atenção apenas à doramas, mas buscam por outros conteúdos audiovisuais sul-coreanos, como filmes e programas de variedades.

A procura por produtos diversos que se relacionam com os doramas ou seus países de origem também é grande. As revistas especializadas como a K-wave, vestimentas tradicionais, cremes, perucas, aplicativos para celulares e CD´s são bons exemplos.

Quem não conhece k-pop ou j-pop, vai conhecer e certamente gostar. Uma vez que muitos idols - como são chamados os cantores desse estilo musical- também trabalham como atores em doramas. Além disso, as músicas que compõem a trilha sonora dos dramas, não raras vezes, são cantadas por idols.

Além disso, Kamila explica que os dorameiros começam se interessar por lugares e eventos que tenham a cultura asiática como tema. O aprendizado do idioma, principalmente o japonês e coreano, igualmente, é uma marca de muitos dorameiros, que tendem a povoar seu vocabulário de expressões, cumprimentos e palavras comuns falados nos doramas.

Outra característica de quem assiste a doramas é a participação em fanpages e grupos específicos e no whatsapp, que discutem, divulgam e cometam a produção das séries, compartilham curiosidades e informações sobre os atores e idols. E ainda o acompanhamento de conteúdos em blogs e fansubs.

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Páginas  no Facebook da comunidade Doramas Obsession Br e do blog pessoal Dorama Fever 

 

Preferências

Os gêneros e as temáticas das séries que os dorameiros gostam são bem variados, já que o mercado oferece diversificação. A comédia, comédia romântica, ação/policial e drama são os gêneros mais apontados pelas jovens. Quanto à temática, Leticia Ribeiro, por exemplo, prefere os doramas voltados para o jornalismo como Pinocchio e Witch romance, já que se relacionam com a profissão que escolheu.

Outros temas que despertam interesse são os da área médica que envolvem traumas, problemas psicológicos e doenças raras ou inexistentes, os doramas históricos ou que de alguma forma retratam as antigas eras imperiais tanto no Japão, Coreia e China, os de suspense, fantasia, investigativos e os de amor inesperado.

O interesse crescente de brasileiros pelas séries asiáticas, tem gerado um aumento da divulgação e, por consequência, o acesso a esses conteúdos fica mais fácil. Isso possibilita a tradução de legendas para o português de um número maior de dramas e ainda shows de k-pop e eventos relacionados aos doramas no Brasil. Em julho de 2014, por exemplo, o festival sul coreano Music Bank foi realizado no Rio Janeiro.

Além disso, para Larissa Arial a difusão dos doramas contribui para superar preconceitos contra asiáticos e sua produção culturalAcho que o PSY conseguiu romper um pouco esses preconceitos. Inclusive o SBT possui alguns doramas comprados, apesar de nunca colocar na sua programação”, Lembra Leticia Ribeiro.

Na opinião das jovens, assistir doramas não só permite a interação com outras culturas, mas ainda tende a descentralizar a procura por conteúdos culturais audiovisuais nos mercados europeu e norte-americano.

Sites e blogs como o Drama Fever, Dopeka, Siwon fansub, a TV online Viki, Corea Movies, You Tube, Dailymotion disponibilizam doramas para download ou para assistir on-line. A Netflix também já oferece dramas sul coreanos em sua programação, por conta do crescimento da procura por esse conteúdo.

Saiba mais onde ter mais informação sobre doramas e como baixá-los, aqui.

   

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 Lee Jong Suk, ator dos doramas Pinocchio e I can hear your voice 

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