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O desafio da sétima arte em Goiás

Atualizado em 02/06/15 10:07.

Apesar de o panorama do cinema goiano atual ser promissor, um cenário animador ainda é obra de ficção científica

Por Anna Carolina Mendes

Set de filmagem

Set do filme "O que Aprendi com meu Pai", 2012, de Getúlio Ribeiro Créditos: Sidi Leite

Muito além das dificuldades enfrentadas por falta de incentivos governamentais, o cinema feito em Goiás também sofre com a não - liberação por parte dos órgãos competentes de espaços para a locação nos filmes, como presídios, ruas e parques. Mas o principal desafio é em relação aos subsídios culturais. É no que acredita Sidi Leite, funcionário na Universidade Estadual de Goiás engajado no circuito de cinema do estado.

“O desafio é topar o desafio é ir atrás do nosso espaço, reconhecendo o quanto é importante eu produzir o meu produto audiovisual”, alega Daniela de Oliveira, estudante de cinema na UEG e presidente da produtora e distribuidora Panorâmica filmes. Para ela, o cinema em Goiás possui muitas pessoas capacitadas para equiparar a produção daqui com a de fora do Estado, que é mais valorizada.

Com a mudança do curso de audiovisual na UEG para cinema, Daniela crê que uma mudança mais profunda na produção cinematográfica está latente, pois vem observando isso dentro da própria faculdade, com os colegas de curso cada vez mais engajados na produção e distribuição de filmes de Goiás.

Outro desafio é em relação à própria formação em cinema. pois muitos profissionais entram em uma área que é diferente de sua formação acadêmica, por terem interesse na sétima arte. Com apenas dois cursos de cinema no Estado, Goiás não consegue ser equiparado com outros estados, principalmente do eixo Rio-São Paulo, em relação à formação de profissionais de cinema.

No entanto, Daniela enxerga com esperança o cenário atual:”Muitas pessoas que se formaram em outras áreas e, por interesse e com muita dedicação aprenderam na marra, com a pratica e indo em busca de referências, e são grandes profissionais hoje”. Mesmo sendo um curso relativamente novo no Estado, o audiovisual em Goiás está conseguindo fazer história e, segundo Sidi Leite, as novas tecnologias da informação e o barateamento de equipamentos tem contribuição direta nesse processo.

Produzidos em maior número, os curta-metragens em Goiás não possuem temas específicos, existe grande diversidade temática, comemora Sidi. Ele cita o exemplo de Martins Muniz, com um cinema autoral, produções colaborativas e que não tem a pretensão de ser uma proposta universal”. Para ele, o cinema goiano, com sua variedade temática, de técnicas e de autores, tem a característica principal de ultrapassar as fronteiras, tanto da forma e do estilo,quanto da abordagem temática.

Distribuição

Vinculada à Universidade Estadual de Goiás, a produtora e distribuidora Panorâmica Filmes distribui obras para festivais tanto nacionais quanto internacionais. Como outras possibilidades de exibição, este ano a Panorâmica está com propostas de veiculação na TV e na internet, além de uma parceria com a TV UFG. Para Daniela, é importante conceber o cinema como um projeto que visa a pré-produção, a produção, a pós-produção e a distribuição: “Minha intenção é produzir algo que vai ser visto, não faz sentido produzir se não for para esse fim”.

O planejamento é um passo fundamental na realização cinematográfica, de acordo com Daniela. Só com organização a obra passa pelas etapas produtivas, de divulgação e distribuição de forma que o autor deja contemplado por seu trabalho, e a obra alcance o público desejado pela pré-produção.

Para Sidi Leite, os festivais são a primeira vitrine das obras, ele que crê que a produção em Goiás não é distribuída de forma ideal. A diretora Thaís de Oliveira conseguiu quebrar com a lógica de gaveta, quando o filme é realizado mas não alcança público. Com uma parceria com o grupo Severiano Ribeira, ela conseguiu que seu filme fosse exibido em todas as salas da rede antes das sessões ordinárias. “Isso é fundamental para a formação de público para as produções locais”.

Daniela alega que é necessário para o autor que sua obra gere retorno: “distribuição, tanto com o longa- metragem quanto o curta. “Pode e deve gerar um retorno, seja como divulgação do meu nome, seja para contato profissional ou até de dinheiro”. Mas o problema do retorno não é uma realidade apenas do nosso estado, mas de todo o Brasil. Daniela enxerga mudanças neste cenário, com um avanço na mentalidade de realizadores de cinema.

 

 

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