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Produção de biojoias semeia desenvolvimento em comunidade

Atualizado em 02/06/15 09:56.

Projeto Xambiart muda a realidade de moradores de Xambioá no Tocantins.

Por Adriana Rodrigues

 

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 Foto: Adriana Rodrigues

 

O Xambiart é um empreendimento solidário da Cooperativa das Artesãs de biojoias de Xambioá (COOABX) e da Associação dos Moradores do Alto Bonito, cujo o embrião foi um pequeno projeto voltado para a cultura da cidade.

A produção de biojoias começou a ser realizada em dezembro de 2013, depois que um diagnóstico, feito pelos próprios moradores em conjunto com a Votorantim Cimentos, mostrou que a pequena cidade de Xambioá do norte do Tocantins era rica em sementes bio-utilitárias, mas que não estavam sendo aproveitadas.

A partir desse diagnóstico, a Associação de Moradores do setor Alto Bonito fez o projeto no valor de 443 mil reais para concorrer a um fomento do Programa ReDes, por meio do investimento do Instituto Votorantim e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Conforme a presidente da Associação de Moradores e da COOABX, Santana Barreto, na época o Xambiart concorreu com mais de 130 projetos e foi um dos 13 aprovados.

Quando a cooperativa começou, as mulheres de Alto Bonito não possuíam qualificação para desenvolver as peças. Diante dessa dificuldade, a presidente da Associação de Moradores lembra que no texto do projeto foi colocado a necessidade de custeio de capacitações em todas as áreas.

A Xambiart obteve a colaboração de várias designers, como Patrícia Moura, de Recife, além de diversos cursos oferecidos em parceria com o Sebrae.

Hoje o projeto é um acrescento familiar, um modo das pessoas do bairro conseguir algo melhor. Inclusive teve pessoas que quando receberam pela primeira vez lá na associação, chorou”, lembra Santana comovida. A artesã reforça que algumas pessoas nunca tinham recebido um dinheiro fruto do seu trabalho antes da produção de biojoias.

A cooperativa mudou a realidade do setor Alto Bonito. Muitas mulheres que antes precisavam prestar serviço de doméstica, não o fazem mais, pois já tem a sua renda.

 

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Biojoias produzidas com sementes de açaí, buriti  e patuá, respectivamente (Foto: Adriana Rodrigues - colaboração Renta Bellato)

 

Cooperativa

A Cooperativa das Artesãs de biojoias de Xambioá nasceu dentro da Associação de Moradores de Alto Bonito. Conforme Santana Barreto, a associação não tinha poder de compra e venda, “e nós pretendíamos alavancar não só dentro do nosso município, do nosso Estado, mas em todo território brasileiro e em todo o mundo”, afirma orgulhosa.

O contrato do projeto aprovado pelos custeadores – Instituto Votorantim e BNDES- também previa a criação de uma cooperativa para que houvesse melhor comercialização dos produtos.

Além disso, a cooperativa garantiria maior segurança e valorização para as artesãs. “Não seria só da associação, mas da cooperativa, de todos nós. Tudo que a gente faz é nosso”, enfatiza Santana Barreto.

Assim, por meio da COOABX, as artesãs montaram as oficinas e compraram as máquinas necessárias. O trabalho é bem interessante, porque todas realizam as mesmas funções, desde a colheita até a venda. Tudo começa com a colheita de cocos, sementes, fibras no Cerrado Tocantinense.

Ao chegarem da colheita, as artesãs separam e beneficiam todo o material. O que não for usado na confecção das peças é devolvido para a natureza. Depois do beneficiamento, começam a fazer as montagens.

A Xambiart trabalha na confecção de colares, pulseiras, brincos, chaveiros, terços de todos os tamanhos e mensageiros do vento – que são aqueles enfeites colocados na varanda ou na sacada, que ao soprar do vento, balança e emite sons.

Também são produzidos porta-canetas, pintura no madeirite e enfeites como borboletas, peixes, flores, sol com espelho. Há pouco tempo, a cooperativa passou a desenvolver um projeto só com o coco de babaçu. Nessa etapa as artesãs começaram a fazer cestas, porta-panelas, jogo americano e petisqueiras.

Algumas das sementes usadas pelas artesãs na confecção das peças são o olho-de-boi, o açaí, o patuá, o tucumã e a jarina. Além do coco de babaçu, o coco de guariroba e de buriti  também são empregados.

Tem gente que fala que os adereços de semente é bijuteria, mas não é, o nome é biojoias. As pessoas tem que conscientizar que as peças são feitas com elementos da natureza”, defende Santana.

Inclusão

Atualmente, a COOABX conta com 25 associados, entre eles apenas um homem, que possui deficiência motora. Segundo a presidente da cooperativa, a Xambiart trabalha com inclusão social em todo o setor, por isso, a participação desse único homem no projeto.

Santana Barreto relata que ele melhorou os movimentos em 90% desde que começou a trabalhar na cooperativa. “Antes ele tinha muitas dificuldades, até de estar no meio das pessoas por causa do preconceito. E a gente convenceu ele a participar. Hoje ele é vice-presidente da cooperativa”, conta Barreto.

 

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Santana Barreto representado a Xambiart na Feira Agro Centro-Oeste 2015 (Foto: Renata Bellato)

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