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Celg a um passo da privatização

Atualizado em 02/06/15 08:37.

Mardem Costa Jr.

 

Sede da Celg 

Companhia poderá ser privatizada em breve (Foto: Gran Cursos)

 

A presidente Dilma Rousseff assinou, no último dia 13 de maio, decreto que inclui a Companhia Energética do Estado de Goiás (Celg) no Programa Nacional de Desestatização. Com a medida, que entrou em vigor na última quinta, a estatal energética goiana, controlada pela Eletrobrás (51% das ações) e pelo Governo de Goiás (49%), poderá ser repassada à iniciativa privada, através de leilão público. A intenção da estatal federal de energia é vender participações em várias companhias com o objetivo de capitalização financeira para cobrir prejuízos de cerca de R$ 1,5 bilhão em investimentos feitos nos últimos anos.

 

Além da Celg, também poderão ser vendidas as Companhias Energéticas de Alagoas, Acre, Amazonas, Piauí, Rondônia e Roraima. Segundo o balanço de 2014, a Eletrobrás teve prejuízo de R$ 3 bilhões. Especulações do mercado dão conta de que a assunção das empresas das regiões Norte e Nordeste, incentivada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi a grande responsável pelas perdas da empresa. No caso da Celg, a estatal federal investiu R$ 59,45 milhões para ficar com 76.761.267 ações ordinárias da empresa, o equivalente a 50,93 por cento do capital. Outros 0,7% já tinham sido adquiridos anteriormente.

 

O edital de privatização a ser elaborado, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério de Minas e Energia (MME), as empresas interessadas deverão se comprometer em garantir a qualidade do serviço e a manutenção e modernização das redes de energia. O Ministério ficará responsável pela execução e acompanhamento do processo de desestatização, enquanto o BNDES terá competência de contratar os serviços e prover o apoio técnico necessário à execução da desestatização.

 

HISTÓRIA

A Companhia Energética de Goiás (Celg) foi criada em 1955, na gestão de José Ludovico de Almeida. Cobre 237 dos 246 municípios de Goiás (o restante do estado é atendido pela Companhia Elétrica do São Patrício - Chesp). Por muitos anos foi distribuidora e produtora de energia elétrica. Com a venda da Usina de Cachoeira Dourada em 1997, na gestão de Maguito Vilela (PMDB), a estatal passou a acumular dívidas e perdeu o direito ao reajuste de tarifa por estar inadimplente com as empresas produtoras de energia. Em estado falimentar, a Celg foi considerada por dois anos seguidos a pior distribuidora do setor.

 

A crise da companhia foi palco de disputas políticas entre o grupo do governador Marconi Perillo (PSDB) e de Iris Rezende (PMDB). Ambos trocam acusações sobre a responsabilidade um do outro pela decadência da Celg. Os aliados de Marconi acusam o PMDB por ter vendido o maior bem da empresa, a Usina de Cachoeira Dourada, localizada na região Sul de Goiás, com o objetivo de construir obras políticas visando a campanha eleitoral de 1998. Os iristas, por sua vez, acusam as gestões de Perillo de omissão e sucateamento.

 

marconi e iris

Marconi Perillo e Iris Rezende - chumbo trocado entre os correligionários de ambos

(Foto: Diário de Goiás)

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