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Reciclagem Humana

Atualizado em 19/05/15 09:12.

Por Morgana Kelly

 

Estava passeando com minha avó, uma mulher com semblante abatido e cansado de uma vida que parecia ser longa demais e é por isso que sempre percebi sua grande sabedoria. Avistei dois moleques de rua que estavam correndo e gritando. Não entendi muito bem e fui ver o que estava acontecendo. Ao deixar minha avó, disse que me esperasse e descansasse, pois iria me aproximar, entendi que era só brincadeira, algum tipo de “zoação” a respeito de alguma coisa. Fui aproximando-me e ouvi o que gritavam, na medida em que se afastavam parecia mais um sussurro “uga e uga vai cata o lixo da rua”. Comecei a pensar qual sentido em tudo aquilo, por que estavam agindo dessa maneira. Ao olhar o local com detalhe percebi que tinha duas mulheres que estavam separando o lixo que poderia ser reaproveitado, de um recipiente em que todos colocavam qualquer tipo de coisa. Pensei então que era certo que os rapazes estavam zombando das senhoras que simplesmente trabalhavam de uma maneira diferente é claro, mais muito honesta.

Minha avó que viu toda a cena veio até mim e disse: “Todo lixo existente, é resultado do ato humano chamado “consumo”. O ato voluntário de consciência do cidadão só pode existir mediante informações e educação, quanto à necessidade de separar e reciclar o lixo que vem desse grande consumo. O que essas senhoras fazem simplesmente é cuidar das nossas vidas ao pensar no nosso meio ambiente. Posso dizer então que elas são anjos”.

Disse à minha avó: “Que fazer então vó, com esses seres humanos que não sabem valorizar nada. Que até mesmo algo que parece ser inatingível em certo momento em outro já não vale nada. Esse consumo exagerado é resultado de não sabermos valorizar o que pode ser restaurado. E quando nos deparamos com pessoas que pretendem fazer algo para melhorar a situação, agimos como esses rapazes que atrapalharam e não ajudaram a fazer alguma coisa.”

Minha avó olhou para mim, sorriu e disse: “ Querido, eu acredito que as coisas podem mudar sabe, e não precisa ser de uma vez ao poucos podemos construir uma sociedade melhor, se um quiser já é um começo. E eu vou ser a primeira.

Seguimos adiante e ao chegarmos à casa de minha avó, percebi certa inquietação, ela andava de um lado a outro e separava todo tipo de material velho sem mais utilidade em sua casa.

 Perguntei a ela o que estava acontecendo e ela disse: “Eu vou ser diferente agora vou ajudar àquelas senhoras e esse material que estou separando é para elas. Afinal, lixo pode ser lucro”.

Não demorou muito comecei a sentir um cheirinho bom e até gostoso, pois minha avó estava fazendo seus deliciosos biscoitos de queijo. Fui correndo até a cozinha ao tocar na forma ela disse: “Pode tirar a mãozinha daí, esses biscoitos são para as senhoras que vimos hoje. Sabe meu filho eu fiquei pensando o pior lixo que existe é o que está dentro do ser humano, eu nunca vi ninguém fazer nada por essas mulheres que sempre estão limpando o lugar que vivemos. Não se para pensar o quanto é necessário tratá-las bem e não da forma como vimos hoje. Atualmente deveriam ser reciclados também os sentimentos, pois quando percebêssemos que não estamos mais agindo da forma certa, iríamos concertar. A palavra reciclagem nos arremete à ideia de recuperar algo, seja esse algo pessoas, objetos ou lugares. Há dois tipos de lixo para serem reciclados, o lixo material e o lixo humano”.

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