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Salas vazias: o drama dos cursos de licenciatura

Atualizado em 19/05/15 09:10.

Trabalhar como professor não é atraente nem mesmo para os vocacionados a esse caminho 

Por Fernanda Garcia

sala vazia

Poucos alunos desejam seguir a carreira de professor/Imagem: Fernanda Garcia

 

Ser educador, especialmente no Brasil, é uma escolha de poucos. Segundo o último relatório do Censo da Educação Superior, o número de matrículas em cursos de licenciatura no ensino superior aumentou somente 0,6% em 2013. Essa porcentagem decimal apenas revela uma situação preocupante: cada vez menos alunos desejam seguir a carreira docente.

Se seguir carreira docente é pouco atrativo até para os vocacionados à profissão, para os estudantes de ensino médio essa opção é quase completamente descartada. Um estudo encomendado à Fundação Carlos Chagas (FCC) pela área de Estudos e Pesquisas da Fundação Victor Civita (FVC) apontou que apenas 2% dos alunos que estão concluindo o 3º ano desejam prestar vestibular para pedagogia ou outra licenciatura.

A pesquisa indicou também que outros 9% mencionam a intenção de graduar em cursos da área educacional básica, como história, matemática e letras, mas não garantem que atuarão como professor.

 

Desvalorização

O estudante do quinto período de química na UFG, Guilherme Marcelino, 20 anos, contou que em sua turma do último ano do ensino médio quase ninguém pretendia prestar vestibular para algum curso de licenciatura. Ele fazia parte do modesto grupo de futuros professores. Guilherme, contudo, é otimista quanto ao seu futuro profissional e acredita que a carreira de professor é pouco almejada porque existe preconceito em torno da profissão. “A baixa procura é por causa de um certo preconceito, por achar que não há oportunidades no mercado de trabalho, por uma visão que parte da sociedade tem dos professores”, afirmou.

O estudante, inclusive, contou que acredita que, em seu curso, há melhores oportunidades no mercado para os habilitados em licenciatura do que em bacharelado. Ainda para Guilherme, é preciso, todavia, ter “facilidade em ensinar as pessoas”, um talento que ele descobriu possuir ainda no ensino médio.

Juliana Duarte, 21 anos, graduanda do 4º ano de história pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), afirmou que o ponto chave da pouca procura por cursos de licenciatura é a desvalorização da profissão de professor. Além disso, a aluna disse que “é difícil entrar no mercado de trabalho e os concursos são limitados, apesar de existirem um bom número de vagas”.

A estudante de história afirmou que não somente a questão salarial, mas também as más condições de trabalho são fatores que afastam as pessoas dos cursos de licenciatura. Ela frisou, contudo, que uma remuneração mais valorizada deve ser o primeiro passo. “O aumento de salário é só uma mudança processual, mas é fundamental”, concluiu.

Mesmo com o intuito de concluir sua formação, terminando o mestrado e o doutorado, para ministrar aulas na universidade, Juliana contou que pretende trabalhar também no ensino básico. “A educação básica é um momento decisivo na trajetória do aluno. Quero fazer parte disso, mas, infelizmente, o sistema público de ensino básico no Brasil ainda é muito carente em relação ao ensino superior”, disse.

 

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