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Entre o auxílio e a influência

Atualizado em 19/05/15 09:20.

Com a falta de tempo crescente, cada vez mais pais inscrevem filhos em atividades musicais, que acabam por modificar suas vidas  

Por Ana Carolina Jobim

Aula música

Foto: tenhomaisdiscosqueamigos.com

 

Conciliar trabalho e horário dos filhos é um desafio que assola a vida das mães atualmente. Como auxiliares nessa tarefa, elas acabam subtendo seus filhos a atividades complementares à escola, como dança, teatro e música. 

Oficinas de música em escolas especializadas ou até mesmo na própria escola das crianças são hoje uma das atividades mais visadas pelos pais. Seja pelo caráter cultural ou profissional que essas ocupações possuem, é fácil encontrar jovens que tenham passado pela experiência de aprender um instrumento ou cantar em um coral. 

 

O poder da música 

Estudos realizados nas áreas da pedagogia, psicologia e da própria música revelam que crianças educadas em contato com a música têm um desenvolvimento expressivo da criatividade e de outros fatores comportamentais, como a autodisciplina e as relações sociais.  

Segundo Daniela Coleto em artigo para a Revista Conteúdo, “a música representa uma importante fonte de estímulos, equilíbrio e felicidade para a criança.”. Assim, quando ela uma criança entra em contato com o ensino musical ela se torna um “alvo” e, mesmo que não se note, tem seu comportamento modificado. 

Ao ir para uma aula de música, a criança é levada a se dispor a novos conteúdos, a conviver em grupo e principalmente, se soltar. Com isso, ela vai desenvolvendo a disciplina, a criatividade e a confiança própria, qualidades que são necessárias em sua vida adulta. 

Para o maestro Reginaldo Sebastião da Silva, que trabalha com ensino musical desde 1999, a música “[...] é fator responsável em formar jovens cidadãos responsáveis e com futuros promissores, seja dentro dela ou não.” Ele conta que muitos de seus alunos já o agradeceram por ter sido fator transformador em suas vidas e que o mesmo aconteceu com ele próprio. 

Tenho exemplos de muitos alunos desacreditados, inclusive em suas casas, os quais mudaram depois que entraram na banda. Tenho pais que me ligam agradecendo por ter ajudado seu filho a recuperar a autoestima através da descoberta de seu amor pela música.” – conta Reginaldo. 

Mesmo que pesquisas comprovem essas transformações cognitivas e comportamentais que as atividades musicais possuem, são aqueles diretamente afetados quem conseguem indicar melhor em que são influenciados.  

Mateus Gervásio, ex-aluno da Banda Marcial do CPMG-PMVR, conta que a mudança evidente em sua vida foi conseguir lidar com as opiniões alheias e atuar em grupo. “Me ensinou a conviver com outras pessoas, a não querer fazer tudo por conta própria” – diz.  

Lucas Silvestre, estudante de direito que estudou percussão, disse ter aprendido que pode “(...) conseguir tudo apenas estudando, me concentrando, fazendo algo por um objetivo. Na música eu aprendi a ser alguém, aprendi a estar em grupo e cumprir com minhas responsabilidades para, juntos, alcançar algo maior e pra que eu consiga alcançar meus próprios objetivos.”. 

Ainda que as respostas sejam semelhantes entre grande parte dos alunos, noções de desenvolvimento rítmico, emocional e cultural despercebidas por eles são evidenciadas pelos especialistas. “Quando toca um instrumento, a criança estabelece uma relação que envolve tanto a percepção auditiva e rítmica quanto à expressão de sentimentos e fantasias.” – relata Daniela Coleto em seu artigo. 

Já para os paisas transformações percebidas estão ligadas a inserção cultural e social obtida. Para Ana Lima, mãe de participantes do Coral Infanto-Juvenil da PUC, a atividade às ajudou a desenvolver disciplina, “[...] além de acrescentar cultura. Percebi que ele (o coral) ajudou minhas filhas a lidar com o mundo lá fora, sem ser uma inserção brusca, mais como uma iniciação social.”- diz. 

 

Importância social 

É importante ressaltar que uma grande contribuição da oferta dessas atividades extraclasses é sua importância social no sentido de evitar que essas crianças e jovens ficam a mercê de atividades ilícitas. Em outros estados e em Goiás, são oferecidas aulas gratuitas de música que colaboram com ocupação social dessas crianças.  

O Centro de Educação Profissional Basileu França, mantido pelo governo de Goiás, oferece aulas de instrumentos em horários no contra turno dos alunos. Assim, eles saem da escola e vão para o CEP ter aulas de música de acordo com o instrumento escolhido. 

Além do Basileu França, a Prefeitura de Goiânia possui projetos de ensino musical nos Semas voltados não só para os jovens, mas para cidadãos de qualquer idade. E as Universidades também ofertam esses cursos, como é o caso da Coordenação de Arte e Cultura da PUC e da EMAC, na Universidade Federal de Goiás. Ambos opções para o ensino musical na capital. 

 Fonte: FIC

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