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Inglês para inglês ver

Atualizado em 19/05/15 03:00.

Opção ao intercâmbio, cursos de idiomas nem sempre são vistos como a saída mais fácil por estudantes

Caroline Almeida

 

Inglês para inglês ver

(Imagem: portalwizardsc.com.br)          

 

O número de brasileiros que estuda fora do país é cada vez maior. A Associação Brasileira de Organizações de Viagens Educacionais e Culturais (Belta) divulgou, no mês de março, que a quantidade de alunos brasileiros estudando no exterior aumentou 500% na última década. Ainda segundo a Belta, apenas em 2014 foram 230 mil estudantes.

Devido a iniciativas como o programa Ciências Sem Fronteiras, que tem ofertado bolsas de estudos para estudantes brasileiros em instituições estrangeiras, o interesse em realizar parte da graduação fora do Brasil tem aumentado. No entanto, o objetivo principal continua sendo o aprendizado ou o aperfeiçoamento de uma segunda língua.

O inglês, segunda língua mais falada no mundo, atrás apenas do mandarim, deixou de ser diferencial no currículo e passou a ser pré-requisito. Diante das exigências do mercado de trabalho, muitos profissionais e estudantes buscam se qualificar, mas nem sempre é possível sair do país para realizar uma imersão em solo estrangeiro.

Nem sempre a exigência de saber mais que o português se restringe a lugares em que outras línguas são faladas. O inglês faz falta até mesmo para ir a Portugal. Intercambista brasileira na cidade do Porto em 2014, a estudante Thaís Alves sentiu na pele a falta do idioma.

“O país não exige que você saiba português. Alguns professores utilizavam material em inglês, principalmente se houvesse algum estrangeiro que soubesse apenas a língua inglesa”, explicou.

Processo de aprendizado

A necessidade é clara. O aprendizado, entretanto, nem sempre é fácil. A estudante de Jornalismo Mariana Faria passou dois anos de sua infância nos Estados Unidos, aprendeu a língua inglesa e, ainda assim, sentiu dificuldades ao se aprofundar nos estudos, já no Brasil.

“Mesmo com alguma facilidade pelo que já tinha aprendido, sofri muito para conseguir realizar o curso, que era bem puxado. Mas foram cinco anos muito bons, em que aprendi coisas como gramática e leitura”, explicou Faria.

Os cursos de idiomas, de maior ou menor duração, acabam sendo a principal saída para a maior parte dos alunos. Entretanto, a opção nem sempre é viável. O estudante de Ciências da Computação Mathias Matos, que iniciou os estudos em língua inglesa ainda na infância, destacou o valor das mensalidades como o principal empecilho.

“Os meus estudos só foram possíveis porque eu recebia bolsa de estudos. Em alguns casos, nas melhores escolas, as mensalidades chegam a um salário mínimo. É muito inacessível”, afirmou.

Nas escolas mais baratas, ainda segundo Matos, o problema passa a ser a qualidade. “Os alunos ficam muito tempo estudando e, mesmo assim, acabam com problemas de pronúncia ou escrita”.

A qualidade do ensino também é algo destacado pelo relações-públicas Carlos Martins, que define como “frustrante” sua experiência com o aprendizado de outro idioma no Brasil. “A impressão que tenho é que a maior parte dos cursos forma alunos que possam conversar com outros brasileiros que aprenderam inglês no Brasil”, apontou.

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