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Oportunidades e desafios de se fazer cinema em Goiás

Atualizado em 12/05/15 10:00.

Estudante de cinema na Universidade Estadual de Goiás e presidente da produtora e distribuidora Panorâmica Filmes, Daniela de Oliveira conta quais são suas perspectivas quanto ao futuro do cinema em Goiás e seus anseios em relação à própria carreira

 

Com falta de incentivos financeiros e apenas dois cursos de cinema, os produtores e realizadores cinematográficos de Goiás ainda tem uma longa jornada até o reconhecimento. No entanto, a esperança de mudanças ainda move os profissionais da área. A unidade dos apaixonados pela sétima arte é o desafio de querer modificar uma realidade difícil para quem resolve viver da arte de contar histórias audiovisuais.

  

Por Anna Carolina Mendes

 

Jovens Jornalistas: De que forma você enxerga a produção cinematográfica em Goiás? Quais são os principais desafios e conquistas?

Daniela de Oliveira: É engraçado falar de produção cinematográfica em Goiás. No geral, vejo casos muito específicos. Existem pessoas formadas em audiovisual que trabalham com cinema aqui. Outras que se formaram em outras áreas e, por interesse e com muita dedicação aprenderam na marra, com a prática e indo em busca de referências, e são grandes profissionais hoje. Até porque o curso de Comunicação Social- Audiovisual é muito novo, em comparação a outros cursos no estado de Goiás. A mudança recente do nome do curso para Cinema e Audiovisual foi um grande avanço para a nossa área, e temos essa respostas dos próprios alunos. Eles estão lá em sala de aula vendo a história do cinema, as funções do cinema etc e sabem a que vieram até a faculdade. Acho que a mudança começa aí.

 

JJ: Para você, quais são as melhores características do cinema no estado?

DO: Tenho para mim que Cinema é Cinema, aqui ou em qualquer outro lugar. A melhor característica, na minha opinião, é essa garra que temos de produzir, conseguindo incentivo ou não conseguindo, com todos os problemas que encontramos, com a falta de espaço, falta de reconhecimento. Tenho uma professora que sempre diz, o cinema aqui é uma mata fechada, vamos com nosso facão em mãos abrindo o caminho.

 

JJ: Em relação à distribuição, você acredita que a produção local é disseminada como deveria, ou ainda faltam incentivos?DO

DO: Sou presidente da Panorâmica Filmes, ela é uma distribuidora de filmes veiculada a Universidade Estadual de Goiás, lá distribuímos filmes para Festivais nacionais e internacionais e esse ano estamos com projetos de ter a TV e a internet como outras possibilidades de exibição. Já conseguimos inclusive um espaço na TV UFG, o que foi bastante gratificante a animador, tanto para os realizadores que trabalham com a gente tanto para nós.Me interesso muito por distribuição, falando para a minha carreira como profissional ao sair da faculdade, mas também visualizando o esquema do cinema como todo ( pré-produção,produção, distribuição) não acredito muito em projetos em que só se pensa em sua produção. Minha intenção é produzir algo que vai ser visto, não faz sentido produzir se não for para esse fim, em minha opinião.

 

JJ: Os temas e abordagens da produção em Goiás seguem algum viés específico ou possui diversidade? São mais curtas ou longa-metragens?

DO: Não acredito que as produções aqui no estado seguem um viés especifico, existem estilos diversos. Quando crio, eu quero dizer algo com aquilo e cada um que cria dentro do cinema quer dizer algo diferente. O cinema tem uma maneira mágica de fazer isso, além disso você tem diversas maneiras de sensibilizar seu publico e de “ contar histórias” . Ver esse universo todo se criando ali na sua frente é muito gratificante. Com o contato que tenho o que mais se vê são curtas-metragens. Entramos em algo delicado, sobre a discussão a respeito do questionamento se o curta-metragem é uma linguagem diferente da do longa-metragem ou se ele é um passo para o longa-metragem. Eu, particularmente, acredito que é sim uma linguagem especifica, com características muito distintas das do longa, porém acredito que é freqüente a produção de curta-metragens por recursos que são disponíveis para produzirmos. Produzir um filme não é nada barato, em todos os aspectos. Um longa-metragem, então. Mas não quero fazer generalizações, Talvez seja uma escolha desses profissionais.

 

JJ: Como fica a questão do incentivo ao cinema no nosso estado?

DO: Tenho pouca propriedade para falar em relação a incentivos do estado. Acho que não só ao cinema, mas a cultura em geral deveria existir maiores e mais organizados incentivos e aos que já existem uma maior clareza em relação ao porque esses foi escolhido e esse não. E acredito que deve haver um respeito em relação ao projeto que é apresentado a essas leis, quando eu apresento um valor para o meu projeto, eu preciso daquela quantia para produzir algo de qualidade. Quando cortam meus recursos, me impedem de fazer o que eu havia planejado. No caso de projetos de cinema, precisamos de pessoas que trabalham e entendem de cinema para selecionar os projetos, existem especificidades para produções desse estilo, é necessário esse conhecimento.

 

JJ: O profissional de Goiás que se forma hoje em cinema tem oportunidades de atuação aqui? Quais são as principais dificuldades encontradas?

DO: Acho que a mudança começa nas pessoas. Papo clichê, mas tenho que citar. Se conseguirmos formar profissionais que acreditam no que fazem, aqui ou no lugar que estiverem vão buscar e fazer o que tem que fazer e assim mudar, a visão do público sobre o que produzimos a visão dos exibidores que estão com espaços vagos. Quando acreditarmos o quanto somos capazes e com muita garra, conseguiremos avançar mais do que já avançamos aqui no estado de Goiás. Acho que as principais dificuldades encontradas são em relação a aprender a lidar com os vários desafios que aparecem e a sabermos dar ao nosso produto audiovisual e ao nosso trabalho o valor que ele merece.

 

JJ: Quais são as principais produtoras de cinema de Goiás? E a distribuição, é independente aqui, ou tem relação com o cenário nacional?

DO: Existem algumas produtoras, não sei como definiria ela com mais importância que as outras. Tive um maior contato com a Panacéia Filmes, lá ele são voltados para o cinema mesmo, com alguns curtas-metragens que tomaram proporções maiores fora, rodaram festivais e se dedicam muito a isso.Não desmerecendo as outras produtoras, é porque realmente tive um maior contato com o trabalho deles. A distribuição é algo muito “novo” ainda, normalmente os próprios realizadores tentas distribuir seus filmes. Não posso afirmar com toda a certeza, mas o que tenho de conhecimento, a única empresa que é voltada somente para a distribuição é a Panorâmica Filmes, que é vinculada à UEG, ela nasceu em 2012 e freqüentemente estamos aprendendo mais sobre essa área de atuação que é a distribuição. Temos de ligação com o cenário nacional essa realidade que é enfrentada, esse problema de distribuição não acontece só aqui. É algo que está sendo mudado, ainda bem e mudado tanto aqui quanto fora.

 

Fonte: FIC

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