Weby shortcut
4884

Me bata, me prenda, mas não fala do meu signo

Atualizado em 28/04/15 10:01.

Usar o signo como desculpa para agir como um completo babaca não dá. Abaixo aos astrólogos de botequim!

Por Júnior Bueno 

 

Tem coisas na vida que eu não gosto, mas suporto: ônibus cheio, coco ralado, gente que fala cutucando. Tem coisas que eu não suporto, mas fazem parte da vida: dentista, família no facebook, calor insuportável. E tem a categoria “me bata me prenda faça tudo comigo, mas não me submeta a isso”. É nesse campo que reside a Cláudia Leitte, pregadores de ônibus, melancia e a frase “nossa, você é virginiano? Deve ser super organizado”. Céus, como eu detesto essa frase.

Astrologia é um tópico comum em conversas sociais hoje, todo mundo entende (ou finge entender) um pouco. E é útil: dá pra quebrar o gelo, começar aquele papo, usar umas frases soltas sobre o signo do boy ou da gatinha. Pega bem, inclusive. Não é uma religião, de modo que dá pra conversar sobre o assunto com quase todo mundo. Não é uma ciência exata, logo não precisa ser um João Bidu pra mandar um “cancerianos são os mais emocionais” ou “leonino é tudo vaidoso”. E aí é que começa o festival de abobrinhas.

O problema é o senso comum sobre os signos. Porque nem sempre funciona. Comigo nunca funcionou. Cada pessoa tem suas idiossincrasias, é única em seus defeitos e virtudes. Nem todo virginiano é maníaco por organização, metódico, insuportável. Eu pelo menos não sou, quem me conhece e já viu meu quarto sabe do que estou falando. Não consigo organizar uma gaveta de cuecas, o que dirá planejar qualquer coisa a um prazo maior que cinco minutos. E esse pré-julgamento baseado apenas no dia que a pessoa nasceu é um troço chato.

Os maiores entusiastas do horóscopo de botequim costumam dizer por exemplo que sagitarianos são seres rancorosos e vingativos. Sério, todo o caráter de uma pessoa é julgado e condenado baseado apenas num conjunto de estrelinhas que passeava pelo céu quando o sujeito nasceu. Já cansei de ouvir amigos falando que “namora o capeta encarnado, mas não se relaciona com um sagitariano”. Gente que condena preconceitos de cor da pele e de classe social, mas tem preconceito de signo.

Eu acho (teoria minha), que esse julgamento boboca existe porque em algum momento um punhado de gente resolveu agir como babacas completos e usar o signo como desculpa:

“Puxa, desculpa descontar em você toda a raiva que eu tenho do meu chefe, sei que você não tem nada a ver com isso, mas sabe como é taurino, né?”

“Olha, não era minha intenção enfeitar sua testa com essa plantação de chifres, mas eu não resisto, é mais forte que eu, é que eu sou de gêmeos, aí já viu, né?”

“Ai, caramba, esqueci seu aniversário, meu deus, eu vivo no mundo da lua! Ai, ai, é difícil ser aquariano, viu? Não lembro de nada…”

Não estou condenando a astrologia aqui não, até gosto de ler meu horóscopo no jornal e jogar conversa fora sobre o tema. Do contrário, estou fazendo uma defesa da astrologia como uma arte antiga que vai muito além do papo batido de que “libriano é equilibrado, ariano é impulsivo”. E acho que combinada com um estudo psicanalítico dos símbolos (saca Jung?) pode até servir como uma ferramenta de autodescoberta. Então quer um conselho de um virginiano desordeiro? Investe num mapa astral com um profissional do ramo, faz uma boa análise de si mesmo, usa o que te favorece e para de perpetuar bobagens dos signos.

Listar Todas Voltar