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Como Tóquio aprendeu a economizar

Atualizado em 28/04/15 08:58.

Com um sistema simples de fiscalização e reparo, a capital japonesa tem conseguido evitar o desperdício de água

Por Ana Carolina Jobim

Tóquio

Foto: yes-tokio.es

Com cerca de 13 milhões de habitantes, Tóquio chama atenção por ser a área urbana mais populosa do mundo. Habituada com a representação por grandes números, a capital japonesa surpreende quando o assunto é a economia de água: Tóquio desperdiça apenas 2% de sua água.

Afetada por terremotos e abalos sísmicos, a metrópole japonesa possui um Sistema de Distribuição de Água do Governo Metropolitano que coordena uma rede de distribuição de quase 27 mil quilômetros através de um esquema copiado mundialmente. Mas nem sempre foi assim.

Em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial o índice de desperdício em Tóquio atingia 80%. Com a construção do trem-bala em 1964 e a realização das olimpíadas, a realidade da metrópole piorou e os reservatórios secaram. Foi aí que a capital japonesa se atentou para a importância da água.

O esquema de distribuição não consiste em nada complicado ou faraônico e encontra seu sucesso no trabalho dos fiscais: são 400 fiscais com treinamento específico para localização dos vazamentos. Para o diretor do departamento de água de Tóquio, Norifumi Tashiro em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo, a capacidade do funcionário é o segredo para o sucesso. A chamada técnica de geofonamento utiliza o som do subsolo para identificação dos problemas na tubulação, que é reparado assim que é identificado. Os canos também estão sendo reforçados por novas estruturas de ferro fundido dúctil, o que ajuda a resistir aos abalos sísmicos.

Além disso, as rígidas regras ambientais protegem as nascentes e fontes de água doce por toda a metrópole, fazendo com que nenhuma delas se torne imprópria para o consumo humano. Enquanto a produção de água potável está sendo ampliada por meio de novos reservatórios e estações de tratamento.

 

 

Geofonamento Tóquio

Técnica de geofonamento é a mesma utilizada pelo funcionários da Sabesp na busca por vazamentos.

Ilustração: cacavazamentos.srv.br.

 

Realidade brasileira

O Brasil ocupa atualmente a 20ª posição no ranking internacional de perda de água tratada. Somente em São Paulo, a cidade mais populosa do Brasil, apresenta uma taxa de vazamentos de quase 20%. Curiosamente, a cidade paulista possui um sistema bastante parecido com o geofonamento japonês na identificação desses problemas na tubulação.

Ligações clandestinas (os chamados "gatos") nas instalações hidráulicas e a falta de pessoal para a solução das emergências que levam a uma perda de quase 36% da água tratada. Água essa que daria para abastecer uma cidade de até 685 mil habitantes. Somente nos primeiros três meses de 2015 foram registradas 957 fraudes nos sistemas de água e esgoto de São Paulo e da Região Metropolitana.

Segundo Rogério Aparecido Machado, professor de Química e Gestão ambiental da Universidade Mackenzie em entrevista ao Portal G1, a perda de água não ocorre só por vazamentos e ligações clandestinas mas também "perdemos muita água porque tratamos nas estações de tratamento de esgoto e a maioria delas não retornam a água para os mananciais" - diz Machado.

Foi para ajudar na gestão da água que durante os anos de 2007 e 2010 a técnicos japoneses vieram auxiliar a Sabesp em um programa para a diminuição de desperdícios. "O objetivo é que, até o fim da década, o índice da Sabesp seja reduzido para 15%, nível próximo aos padrões internacionais. A média brasileira é de 37%." - diz a assessoria de imprensa da Sabesp.

Fonte: FIC

 

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