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Uma perspectiva melhor aos catadores

Atualizado em 28/04/15 09:12.

UFG trabalha com catadores de lixo em busca de seu reconhecimento como trabalhadores e cidadãos

Por: Luiz Fernando Carvalho

Caçamba UFG

“O objetivo da cooperativa é de que os catadores sejam reconhecidos como uma classe de trabalhadores”, afirmou Fernando Bartholo, coordenador da Incubadora Social da Universidade Federal de Goiás. Em funcionamento desde 2008, o projeto de extensão da universidade fornece suporte a sete cooperativas, buscando dar mais qualidade de vida aos trabalhadores.

Dentro das cooperativas são desenvolvidas ações que buscam uma nova perspectiva de vida e trabalho no âmbito do resgate da cidadania, da dignidade, do acesso à saúde e às necessidades básicas do ser humano.

Para José Iramar Araújo, catador e agora representante da classe junto a Incubadora Social, o trabalho em parceria com as cooperativas melhora muito a vida e o emprego dos catatores. Iramar já foi morador de rua, catador para sobrevivência própria e diz acreditar no papel fundamental da incubadora na vida desses trabalhadores.

Segundo ele, a incubadora oferece auxílio em quase tudo que o catador necessita em busca de seu reconhecimento como trabalhador e cidadão. Muitos ainda não possuem nem documentação básica devido ao estado de miséria e a incubadora os auxilia oferecendo o devido direcionamento. Para ele, as medidas tomadas pelas prefeituras são poucas em relação ao que deveria ser feito.

Um dos maiores empecilhos para as cooperativas são suas estruturas físicas, de forma que muitas delas estão instaladas em lugares inadequados, declarou Fernando Bartholo. Esse obstáculo acarreta outros problemas, como, por exemplo, algumas cooperativas não estarem regularizadas quanto à questão ambiental e do armazenamento e tratamento correto do material recolhido.

Bartholo também considera como obstáculo a falta de conhecimento e divulgação sobre o trabalho desenvolvido pela incubadora com os catadores, porém é algo que será adquirido com o tempo. A Incubadora Social da UFG atua dentro do campus Samambaia há mais de cinco anos e, naturalmente, vem ganhando notoriedade pelo trabalho executado junto aos catadores e cooperativas.

Movimento dos catadores em prol das minorias

Uma pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisas Economias Aplicadas) concluiu que 400 mil trabalhadores se declaram como Catadores de Resíduos, no qual as mulheres representariam 31,1%. Porém, estimativas feitas pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) indicam que, de 800 mil trabalhadores em atividade hoje no Brasil, 70% são mulheres.

Segundo José Iramar Araújo, as mulheres exercem um papel significante dentro da classe de trabalhadores, por uma questão social, econômica e história. Dentro do movimento dos catadores existem grupos de apoio à catadoras que lidam com violência doméstica, abuso e outras dificuldades, seja relacionada ao trabalho ou não.

Além dos grupos direcionados às mulheres, outras minorias também possuem total apoio dentro do movimento. Grupos de apoio contra toda forma de discriminação e violência, como racial ou sexual, existem dentro do movimento como forma de sanar toda forma de preconceito.

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