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Mente e corpo em equilíbrio

Atualizado em 28/04/15 09:06.

Wanessa Olímpio

 

Aikido faz o lutador ir a favor da força e não contra ela. (Foto: Wanessa Olímpio)

 

Quando se fala em artes marciais, vem logo a mente a ideia de uma luta combativa, de golpes que podem derrubar rapidamente um adversário. E que uma pessoa necessáriamente deve vencer e a outra ser derrotada. Mas existe uma modalidade que é diferente.

O Aikido surgiu no Japão no século XX, foi fundado pelo Mestre Morihei Ueshiba antes da Segunda Guerra mundial. “Tal arte e/ou prática corporal sobreviveu a ocupação estadunidense no pós-guerra, conquistando adeptos no Japão e fora dele”, segundo o pesquisador em Educação Física Luiz Gonçalves Júnior, no artigo científico Aikido e dialogicidade.

O Sensei Ivan dos Reis Menezes, que é formado em Educação Física, foi o primeiro professor da modalidade em Goiânia, a mais de 20 anos. Ele contou que sempre foi “atleta de competição” e que chegou a ganhar muitas disputas, mas o fato de lutar com um amigo e notar que este não se importava em machucá-lo, só para garantir a vitória, o incomodava.

 

Princípios 

Por isso, encontrou no Aikido uma forma de praticar artes marciais, sem a pressão de ganhar ou perder. E adicionou que “o trabalho que eu tento lecionar aqui na academia é a não competição, o Aikido veio a calhar muito com a minha ideia porque é uma arte que não tem competição”.

“É uma arte voltada para sua vida, para o seu dia a dia, mas não deixa de ser uma arte marcial, se você precisar se defender você vai se defender. E um trabalho que tem uma filosofia voltada para a não agressão, para você procurar vencer seus próprios medos”. Ivan dos Reis Menezes, complementou citando uma frase do fundador do Aikido Morihei Ueshiba disse que “o seu maior inimigo está dentro de você”.

“Por ser uma atividade física, você está se movimentando e o corpo do ser humano foi feito para ter movimento, o corpo sem movimento não faz bem pra ninguém”, afirmou Ivan dos Reis Menezes. “Você não vai sair daqui machucado.” É uma arte com muitos golpes fechados e muitas técnicas de imobilização, se a pessoa tentar resistir vai se machucar, é por isso que ninguém resiste. Ele disse que “a ideia do Aikido é a não força, é você não ir contra a força e ir a favor da força”.

O esporte não é muito procurado por mulheres. (foto: Wanessa Olímpio)

 

Treino

A prática traz benefícios psicológicos. O Sensei contou a história de um aluno, que hoje é faixa preta e professor na acadêmia, que iniciou na arte marcial a 15 anos. Segundo ele esse aluno mudou de personalidade, “era um cara fechado, não mal educado, mas era grosso e ríspido” e hoje é bem mais descontraído e sociável. A praticante Karine Calligaris, faz Aikido a 3 anos e era a única mulher na aula. Ela disse que a prática “da mais segurança, autoconfiança, condicionamento físico, maleabilidade”.

A respeito de ser a única mulher no treino, Calligaris afirmou que “não tem muita procura por meninas, não sei porque, talvez seja o aspecto mais masculino”. Menezes afirmou que aqui em Goiânia as mulheres procuram pouco as artes marciais. Segundo ele em São paulo e em Belo horizonte a procura é maior, na academia há apenas cinco praticantes.

Segundo Ivan dos Reis Menezes, uma palavra muito forte na modalidade e que se usa sempre é Zanshin que significa atenção. Que desenvolve a concentração, “você estando em Zanshin 24 horas por dia, você não erra uma questão na prova, você não é atropelado na rua, você não bate o carro, você não perde um bom negócio.” E acrescentou que “arte marcial hoje, principalmente o Aikido é muito usado no japão para treinamento de grandes empresários, pois trabalha essa filosofia da tenção e da concentração”.

 

Fonte: FIC

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