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A escuridão transcedental de Juliana Chislu

Atualizado em 14/04/15 08:40.

Conheça a trajetória de Juliana Chislu no mundo das tatuagens.

Por: Ana Maria Antunes

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(Acervo: Juliana Chislu)

 

Natural de Nova Odessa e designer por formação, Juliana Chislu de 22 anos é uma tatuadora de mão cheia. Atendendo atualmente em home office, a jovem tem seus trabalhos focados no blackwork e no pontilhismo. Além disso, Chislu mantém um projeto paralelo: o blog Needles and Inks

 

Jovens jornalistas: Quando surgiu a ideia de ser tatuadora?

Juliana Chislu: Desde sempre, acho (risos). Meu primeiro namorado trabalhava com tatuagens e piercings, eu desenhava bastante, meus amigos sempre me pediam desenhos, o tempo passou e cada vez mais as pessoas iam me sugerindo isso, foi um processo natural e nada forçado.

 

 JJ: Ter cursado design ajudou na sua carreira?

Juliana Chislu: Claro. Design e publicidade caminham de mãos dadas, eu mesma crio todo meu material promocional - incluindo logo, tratamento de imagem, tumblr, covers, dessa forma em diante.

 

JJ: Como foi a trajetória de recém-formada, para aprendiz de tatuadora até a profissional atual?

Juliana Chislu: Logo que terminei minha monografia da graduação eu juntei uma mala e vim para São Paulo, onde resido atualmente, para fazer alguns cursos do Lado B, tatuei meses em casa, mas só comecei a contar a carreira quando comecei a tatuar em estúdio, de maneira "assistida", passei também pelo Gelly's, que é um estúdio bem conhecido na Vila Madalena em São Paulo, onde aprendi e convivi com tatuadores ótimos e por fim, rumei pra um novo horizonte, o Blackthorne, que é de fato, minha casa: um estúdio com atendimento fechado ao lado de tatuadores incriveis, como o André Takeda, Felipe Cavalcante, Aline Pinheiro e Nikko Urata. Acredito que desse ponto sim em diante, posso me denominar uma jovem tatuadora, mas ainda em fase de aprendizado.

 

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(Acervo: Juliana Chislu)

 

JJ: Dentro do universo da tatuagem, você se aprofundou em blackwork e pontilhismo. Como essa escolha foi feita?

Juliana Chislu: Eu nunca fui fã de cores, apesar de elas estarem muito presentes em minhas ilustrações digitais e profissão, na minha fase de designer. As cores nunca foram uma preferência pessoal minha, eu gosto da neutralidade, gosto de chamar atenção por formas mais sutis e uniformes, não de modo gritante. Optei por essa linha após conhecer os trabalhos do Guy Le Tatooer, e aí, fez-se a luz, vi que o preto é transcendental.

 

 JJ: Quais suas inspirações em desenhos autorais?

Juliana Chislu: Eu me inspiro demais na Hannah Pixie Snowdon, Marla Moon e Alex Tabuns. Meus focos são animais, botânica e linework, e busco num futuro não tão distante me dedicar somente ao ornamental e sacred geometry.

 

JJ: Dentro da sua identidade visual: as criações são puramente estéticas ou há mensagem?

Juliana Chislu: Existem casos e casos, não tem muito significado por trás de uma baleia com uma mandala. Além da reflexão em si, todos meus desenhos são feitos com carinho e paciência. Mas, tendo como exemplos dois gatos sphynx se lambendo que tatuei recentemente o sentido é de um zelo que se exprime para forma do corpo, em forma de arte. Além de ter sido registrado com muito amor também.

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(Acervo: Juliana Chislu)

 

JJ: Um dos grandes símbolos que você carrega é a cigarra. Qual o significado dela?

Juliana Chislu: A cigarra é um inseto que passa despercebido, no máximo a galera se irrita com o barulho, mas não espera pra admirar a beleza nos detalhes dela, as asas, a estrutura do corpo. A larva da cigarra fica anos embaixo da terra e depois na hora certa, ela sobe e se transforma. Tudo na minha vida eu interpreto como adaptação, crescimento e transformação.

 

JJ: Quais as dicas que você daria para si mesma quando ingressou no mercado como tatuadora?

Juliana Chislu: Não se comparar com as pessoas porque cada artista tem seu tempo, além do mais: pesquisar bem antes de entrar em qualquer estúdio que ofereça aprendizado. Aprendizados são difíceis, se fossem fáceis, todo mundo faria. Seja excelente com os outros. Luz.

 

Para conhecer mais de Juliana Chislu assista sua participação no documentário Cidade Ilustrada.

 

Fonte: FIC

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