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Jornalismo esportivo ainda é visto como uma editoria masculina

Atualizado em 31/03/15 10:57.

O preconceito na sociedade é refletido nas redações de jornalismo até na designação de pautas

Por Anna Carolina Mendes

 

Como o jornalismo esportivo ainda é visto como um campo pretensamente masculino

Foto: http://www.augustodiniz.com.br/

 

Das salas de jornalismo para as redações de jornais, o papel das mulheres na editoria de esportes não é recente, tendo em vista que a participação delas na própria prática esportiva começou a ser realizada no século XIX. Mas foi no início do século XX que a participação de mulheres em competições esportivas se consolidou, afirma a professora em educação Silvana Goellner, em artigo presente no site do Centro Universitário de Brasília.

Em tabela sobre a progressão no número de participantes nos Jogos Olímpicos do COB, Comitê Olímpico Brasileiro, é possível perceber que o número de mulheres aumentou 51 em um universo de 197 participantes nos Jogos de Barcelona para 122 dentro de 257 participantes em Londres, no ano de 2012.

O esporte no jornalismo

No jornalismo, muitas profissionais sofrem com o preconceito que seus colegas do sexo masculino não vivenciam, até na designação para as jornalistas de pautas pretensamente femininas ou de menos impacto.

A jornalista Mayara Jordana acredita que a diferença de designação de pautas é bastante clara. Quando trabalhou no jornal Diário da Manhã, Mayara relata que muitas pautas sobre relacionamento, beleza e saúde ficavam sob sua responsabilidade ou de outras integrantes de sua equipe, e quase nunca com os repórteres homens.

Preconceito

 A professora de jornalismo na Universidade Federal de Goiás, Ana Carolina Temer, viveu na pele situações em que o fato de ser mulher influenciou como as pessoas enxergam seu trabalho de jornalista. De plantão no final de semana quando trabalhava na TV de Uberlândia, Temer foi impedida de fazer uma reportagem no vestiário do Atlético Mineiro pois ali estariam homens nus: “Você não pode fazer, nunca uma mulher entrou no vestiário”.

Após brigar por não aceitar aquela situação e com a ajuda de colegas, conseguiu as entrevistas com os jogadores no vestiário para elaborar sua reportagem: “[...] foi uma situação bem clara de preconceito”, alega Temer.  O mercado de Jornalismo reproduz, no espaço das redações, os preconceitos que existem na vida. É a esta conclusão que chega Ana Carolina Temer e, nesse sentido, “o Jornalismo não é diferente de todo o restante das profissões”.

Temer acredita que a editoria de esportes ainda é vista como de especialidade dos repórteres mas que, com a ajuda das colegas de profissão na troca de informações, esta editoria não fique à cargo apenas dos homens. Para ela, o fato de não designarem pautas de esporte para as jornalistas tanto quanto para os repórteres dificulta a participação das mulheres nesta editoria, mas acredita que esse cenário esteja mudando.

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