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Curso a distância capacita educadores para lidar com dependentes químicos

Atualizado em 31/03/15 09:52.

Iniciativa quer envolver professores, conselheiros tutelares, agentes de saúde e agentes do Ministério Público na luta contra o uso de drogas na infância e adolescência

 

Por Alex Maia

Foto: Divulgação CEPAE-UFG

 

A dependência de drogas lícitas e ilícitas é um desafio cada vez maior para as autoridades de saúde do Brasil. Uma pesquisa feita em 2013 pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apontou que mais de oito milhões de pessoas são dependentes de algum tipo de droga. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Saúde (Senad), visando diminuir este dado, lançou o curso a distância de “Prevenção do Uso de Drogas para Educadores de Escolas Públicas”.

Originalmente desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB), o curso foi encampado pela Senad com o intuito de que outras universidades organizassem e divulgassem-no em seus respectivos estados. A Universidade Federal de Goiás (UFG) foi contemplada e, desde o início de 2014, oferece dez mil vagas para este curso.

Oferecido gratuitamente na modalidade ensino a distânica (EaD), o curso tem a missão de auxiliar as políticas públicas para o enfrentamento do uso de drogas por crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. As aulas capacitam professores, orientadores educacionais, assistentes sociais, agentes do conselho tutelar e do Ministério Público, envolvendo-os em ações voltadas para a prevenção, promovendo e ampliando a participação comunitária.

A coordenadora do projeto na UFG e professora da Faculdade de Educação (FE) da instituição, Marilúcia Lago, revela a importância dessa iniciativa no cenário atual das periferias das grandes cidades. “O que se percebe é que as escolas com maior índice de ocorrências policiais, devido ao uso de drogas, estão nas periferias. A escola se sente impotente e apela para força policial. É preciso direcionar essa e outras políticas públicas para essas áreas”, destacou.

 

Cartazes feitos por professores e alunos, traz orientações para a prevenção às de drogas

Cartazes feitos por professores e alunos, traz orientações para a prevenção às de drogas 

Opinião dos cursistas  

“Esse curso cobra o acompanhamento da apostila e exige que o aluno dedique tempo para as aulas”, ressaltou. A professora de Matemática, Hélida Ferreira, também se surpreendeu com a forma abrangente que as aulas virtuais abordam a prevenção do uso de drogas. “Eu imaginava que ia aprender sobre a parte química, sobre maconha e cocaína, mas não foi nada disso, foi muito além do que eu esperava”, concluiu.

A professora de História, Cinthia Bernardes, que trabalha com famílias de dependentes químicos, espera que as aulas contribuam para o trabalho que ela executa. “Eu já tenho uma visão do que deve ser feito com relação ao uso de drogas e espero que o curso confirme ou descontrua o meu conceito”, relatou a professora.

Estruturado em cinco módulos, o curso “Prevenção do Uso de Drogas para Educadores de Escolas Públicas” oferece uma etapa obrigatória teórico-metodológica de 120 horas, nos quatro primeiros módulos, e uma etapa opcional prática de 60 horas. Esse último módulo é feito de forma coletiva em parceria com outros educadores que atuem na mesma escola e que estejam frequentando as aulas de EaD. 

O curso é oferecido por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) na Plataforma Moodle, com apoio de apostila e DVD. As atividades de aprendizagem contribuem para o desenvolvimento gradativo de prevenção do uso de drogas, por meio da interação e da colaboração entre cursistas de uma mesma escola e turma. O acompanhamento é garantido em todo o percurso e realizado por educadores-tutores. Cada tutor acompanha uma turma com cem educadores-cursistas, em geral, de um mesmo local.

 

 

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