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Entrevista : O rap festivo de Karol Conká

Cantora curitibana levanta poeira por onde passa, unindo hip hop e balada

 

Por Júnior Bueno

 

karol

 

Noite de sábado no festival Bananada, após um show apoteótico do músico ame­ricano J Mascis, e mais cedo de bandas indie como Apanhador Só e Carne Doce, o público talvez pressentisse que o clima de libera geral estivesse por vir com a rapper Karol Conká. Mas nada parecido com o que se viu durante a hora que ela esteve no palco cantando as músicas de seu álbum Batuk Freak.

Uma multidão hipnotizada pelo balanço de Carol, por sua beleza negra e pela batida frenética do DJ não parou um só minuto de dançar. O frenesi foi tanto que ela voltaria para fazer uma participação no show seguinte, do duo eletrônico Tropkillaz. Não satisfeita ela ainda incluiu um hit recente de Rihanna no show e um trecho de Um Beijo Pras Travestis, da MC Xuxu, um hino da ala LGBT que compõe grande parcela dos fãs de Karol.

Quem ainda não conhecia se rendeu a seus hits como Tom­bei e Gandaia. Mas este tex­to não é (apenas) sobre o show do Bananada, mas sobre Karoline dos Santos Oliveira, que, nesse momento está sen­do conhecida do grande público – do público de música alternativa, a curitibana já é velha conhecida, no Brasil e no exterior.

Karol Conká tem 28 anos e ingressou no rap por acaso. Mas ainda assim tem despontado como um dos principais nomes femininos do rap, um reduto ainda muito masculino. E mais: fazendo o hip hop cair na gandaia, com temas que fa­lam de curtir a noite, dançar até cair e se proclamar uma mulher livre. “Ela não tem asas, mas po­de voar,” canta ela em Sandália, e emenda: “Deixa ela, deixa. Ser livre, seguir sem se importar”.

No momento ela tem mais de 170 mil fãs no Facebook, quase 80 mil no Instagram e 34 mil no Twitter. Mas logo não será mais É figura fácil nas listas de revelações da música brasileira e ponta de lança no rap feito por mulheres, ao lado de Flora Mattos e Lurdez da Luz, entre outras. Confira abaixo uma entrevista que ela cedeu a esse repórter nos bastidores do Festival Bananada 2015.

 

Entrevista Karol Conká

 

Você é sempre apontada como um dos novos nomes da música pop nacional. Como você recebe isso?

Fico um pouco surpresa com isso, mas não me sinto mal. Eu fico feliz que me vejam como uma das novas caras do pop, mas minha base é o rap. É o caminho que eu tenho seguido, mesmo que tenha uma pegada mais pop.

Quando o rap aconteceu na sua vida?

Aos 16 anos, eu ouvi Racionais em um carro de som. E depois eu namorei um menino que me apresentou vários discos de rap. Mas o que me atraiu mesmo foi a Lauryn Hill. Eu vi um disco dos Fugees com ela na capa e me apaixonei.

Como é ser mulher num reduto ainda tão dominado por homens como é o rap?

Depende da situação. É difícil quando a mulher exige seus direitos, ao lidar com homens nesse negócio, como alguns músicos e contratantes. A impressão que eu tenho é que a mulher sempre tem que estar falando grosso, tendo que se afirmar. Eu nunca sofri algum tipo de discriminação mais direta, é sempre muito velada. Mas sei que existe, muitas mulheres já passaram por isso. Talvez seja porque comigo eu já recebo a preta velha e não deixo passar nada.

Você regravou Caxambu, samba de Almir Guineto, em uma levada mais hip hop, e essa música exalta a cultura africana. Foi intencional esta escolha?

Foi, sim. Na minha infância, essa música tocava sempre na minha casa. É meio que uma homenagem à minha mãe, que adorava essa música. Essa música é do ano em que eu nasci, então, achei que tinha tudo a ver. E fora que é um batuque lindo. Eu costumo dizer que existem três Karol e uma delas é uma preta velha.

E uma delas deve ser uma rainha da noi­te, já que o público gay te abraçou, não é?

E eu amo. Sempre tive amigo gay. Quando eu era criança, uma das minhas melhores amigas era a Débora, uma travesti de 34 anos, e eu sempre a enxerguei sem maldade, cresci sem isso de julgar. Então, quando entrei no rap eu quis abraçar esse público também.

Você tocou no Bananada e sempre toca em festivais no Brasil e no exterior. Para esses shows você toca as mesmas músicas de seu show regular ou procura trazer algo para agradar os fãs de outros artistas destes festivais?

Eu trabalho mais para agradar o meu público. E quem não conhece é convidado a entrar no clima. Óbvio que rolam covers, mas meu foco é meu público, e quem não me conhece fica conhecendo lá, entra na gandaia, tudo é festa.

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