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R.U.(IM?)

Segundo pesquisa relizada pelo jornal Gazeta do povo, o restaurante universitário da UFG está entre os mais caros do país

Por Marco Faleiro

 

Pesquisas realizadas pela Gazeta do Povo, jornal de grande circulação no estado do Paraná, fizeram um levantamento dos preços dos restaurantes universitários do país.  Entre as sete universidades que pagam mais caro pela refeição está a Universidade Federal de Goiás, como aponta a pesquisa.

Não existem muitas discrepâncias na história recente dos RU’s de quase todas as Federais brasileiras. Nos primeiros anos da virada deste século, o que se viu foram um gradativo processo de privatização dos restaurantes universitários e um consecutivo aumento nos valores cobrados.

O caso da Universidade Federal de Goiás é bem representativo em relação ao restante do país. Para entender melhor, é preciso relembrar o ano de 2001.

Histórico

Há treze anos, de forma não muito diferente do que vimos no ano passado, foi deflagrada uma greve generalizada de funcionários, professores e alunos das universidades federais de norte a sul do Brasil. As reivindicações eram as mesmas: melhores condições de trabalho, maiores investimentos na educação e melhoria dos salários dos servidores.

Um tanto frustrados, estudantes e professores se viram obrigados a enforcar as férias de verão entre o fim de 2001 e início de 2002, com o objetivo de “consertar” o calendário acadêmico. E, para a surpresa de todos, o RU, que também reabria suas portas depois da greve, anunciava um novo preço para o tíquete. De um real, a refeição passou a custar R$1,70 (um real e setenta centavos).

Revoltados, estudantes organizaram movimentos de protesto. E, depois de muita insistência, conseguiram reduzir o valor para R$1,50 (um real e cinquenta centavos), o que ainda representava um aumento de 50% em relação ao antigo valor.

Essa tarifa ficou em vigência durante os próximos dois anos. Mas não foi um simples reajuste o que motivou o aumento dessa vez. Um anúncio feito pela reitoria da universidade no final do ano de 2003 causou mais insatisfação ainda. Um Conselho Universitário havia decidido pela privatização dos serviços do restaurante universitário.

Novos protestos (incluindo greves de fome, ocupação da reitoria e almoço coletivo gratuito organizado pelos Centros Acadêmicos em frente ao RU) romperam nos dois campi de Goiânia. Mas nada disso adiantou. A empresa paulista de alimentos Real Food assumiu o gerenciamento e os lucros do restaurante e passou a cobrar R$2,50 (dois reais e cinquenta centavos) pela refeição para estudantes.

Esse valor foi mantido até setembro de 2008, quando o tíquete começou a custar R$3,00 (três reais) para estudantes. Proporcionalmente, o menor reajuste até o momento.  Mas é bom notar que a Real Food recebe, na realidade, R$4,00 (quatro reais) por refeição, mas 25% desse valor são subsidiados com fundos da UFG.

 Agora

O preço em vigor no ano de 2014 continua sendo de três reais para estudantes. O que, para muitos, ainda é uma cobrança descabida e onerosa. Mas existe também uma grande quantidade de estudantes que considera o preço razoável e justo.

Raíssa de Oliveira, aluna da licenciatura em Ciências Biológicas, faz parte deste segundo grupo. Ela falou sobre sua experiência com o RU: “Particularmente, gosto da comida do RU. Claro que pode haver melhorias. Aqui no Campus II falta tempero e o prato protéico às vezes está bem mal passado. Mas a comida é nutritiva e higiênica.”

Raíssa também se lembrou de um fato interessante, que é inclusive um boato corrente. Segundo ela, “a comida do RU do Campus I é muito mais saborosa que a do Campus II. Não só pelo fato de ter opções melhores nas guarnições e um suco melhor preparado; a comida tem mais tempero, mais sabor.” Para ela, essa é uma verdade entre os muitos mitos que cercam o RU.

Enquanto na USP

E uma pertinente comparação. A USP, maior das universidades brasileiras, possui em seu campus da Química um restaurante universitário com refeições a R$1,90 (um real e noventa centavos) para todos os estudantes. A administração do restaurante também é privatizada. Mas a Universidade custeia a metade do preço cobrado pela empresa privada, que sai por R$3,80 (três reais e oitenta centavos) ao todo.

Vinícius Tomazett é graduado pela UFG e agora cursa um doutorado na Usp. Ele afirma categoricamente que a refeição bem mais barata da universidade paulista é também muito melhor. Segundo ele, existe uma variação maior de cardápio, com mais opções para os diferentes gostos, além de pratos mais saborosos e sobremesas mais caprichadas. Outro ponto que Vinícius destaca é a questão ambiental: enquanto no RU goiano administrado pela Real Food são descartados cerca de três mil copos de plástico diariamente, os estudantes da Usp recebem uma caneca no início do curso que deve ser de seu uso próprio durante toda a sua passagem pela universidade.

 

Conheça melhor o Restaurante Universitário: 

https://www.youtube.com/watch?v=b8eQ0W5BJ2g

Fonte : FIC

Categorias : universidade ru

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