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Mulheres e bola não se entendem

Caso de Fernanda Colombo é só mais um entre as várias discriminações que recebem mulheres que ocupam algum cargo em campo

por Renato Verissimo

Erros de arbitragem são comuns no futebol e, em todos os jogos em que isso acontece, o juiz é vitimizado. A menos que ele seja uma mulher, que daí ele é mais do que isso, como o ocorrido com a assistente Fernanda Colombo durante o clássico mineiro entre Atlético-MG e Cruzeiro, no mês passado.

Além de ser vítima de críticas, a bandeirinha foi condenada pelo dirigente do Cruzeiro, Alexandre Mattos, pelos seus dotes físicos pelos quais, segundo ele, Fernanda devia posar pra revista Playboy, “já que não sabe apitar”. Colombo marcou um impedimento inexistente para o time azul.

Em outra situação no Campeonato Inglês, dois comentaristas da Sky Sports questionaram a confiabilidade de uma assistente durante uma partida. Um deles disse: “Dizem que ela é boa” ao que o outro retrucou “Não sei se podemos confiar nela”. Não é uma questão de trabalho, as mulheres são inferiorizadas no ambiente do futebol independente de suas habilidades e são vistas como um objeto.

Repórter de campo, que fica no meio da torcida e busca os jogadores após a partida, Bárbara Falcão declara que antes de entrar na profissão já enfrentava o machismo das torcidas: “Fui ao estádio várias vezes com meu pai e ele me obrigava a colocar calça e blusa larga, porque, realmente, se você não se vestir assim, corre o risco de ser desrespeitada”.

Fernanda Colombo chegou até ser clicada “com a guarda baixa” enquanto arrumava o meião durante a partida polêmica. “Não adianta ir muito contra. É triste, mas precisamos “nos vestir” para ir ao estádio” completa Bruna Aidar, torcedora do Botafogo.

Ser diferente

“Já fui tratada com certo “privilégio” por ser mulher em campo. Principalmente por ser repórter, as pessoas te respeitam mais, mas é claro que em todas as ações o fato de ser uma mulher em campo pesa” relata Falcão.  A figura feminina no campo de futebol ganhou espaço com os anos.

A árbitra Ana Paula da Silva Oliveira figurou como a 43º entre os 354 árbitros com maior atuação na série A do Campeonato Brasileiro em 2013. No entanto, o crescimento não evitou o afastamento de Fernanda Colombo da profissão pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Segundo a CBF, o afastamento de duas rodadas era para poupá-la das críticas. Atuante no rádio como locutor, Luiz Eduardo Kruger pontua: “Vários árbitros são afastados e passam por reciclagem. Só que o erro da assistente no jogo do Cruzeiro foi muito marcante, principalmente por ela ser mulher”.

O argumento apenas reforça que ser mulher é um peso a mais em considerações sobre a bola. “Acho que aos poucos a mulher vem sim conquistando seu espaço, mas ainda assim é um espaço muito machista” finaliza Bárbara Falcão.

Fonte : FIC

Categorias : Esporte

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