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Nação Zumbi encerra o FICA 2014

6º dia do festival finaliza ao ritmo do manguebeat

 

Por: Janaína Vidal

 

São 20h30 do dia 1º de junho, último dia do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA). As pessoas aguardam pelo esperado show do ícone manguebeat. A quantidade ali chega a ser quase um terço do dia anterior, show da Gal Costa. Após meia hora de espera, ninguém, no entanto, parece cansado ao ver Nação Zumbi abrir seu show ao som de ‘Quando a Maré encher’.

A banda retorna aos palcos após uma longa parada de dois anos, com shows no carnaval de Recife, no Lolapallooza Chile, Argentina e Brasil. Jorge Du Peixe declarou que “um break em 20 anos é muito importante”. Aos poucos o grupo volta aos shows e lança seu novo álbum. Em maio foi lançado seu novo CD, que levou nome da banda: são sete anos desde Fome de Tudo (2007).

O grupo, que perdeu Chico Science tragicamente em 1997, surgiu cinco anos antes. Este é sexto disco da nova fase da Nação Zumbi, que se iniciou em 1998, com o álbum “CSNZ”. A formação atual tem Jorge Du Peixe (vocal e sampler), Lúcio Maia (guitarra e backing vocals), Alexandre Dengue (baixo e backing vocals), Pupillo (bateria e percussão), Gilmar Bola 8 (alfaia e voz), Toca Ogan (percussão e voz), Gustavo da Lua (alfaia e percussão) e Ramon Lira (alfaia e percussão) – filho de Du Peixe.

A segunda música tocada pela banda foi ‘Jornal da morte’. Originalmente é um samba de 1950, do cantor Roberto Silva, adaptada mais ao estilo de rock pela Nação Zumbi. A letra critica as notícias da imprensa sensacionalista, e permanece atual ao jornalismo de hoje “Cada página é um grito, um homem caiu no mangue, só falta alguém espremer o jornal para sair sangue”.

Vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu 

Há exatos 20 anos, um dos grupos mais importantes do país lançou seu primeiro registro para a música com o álbum “Da Lama ao Caos”. Nesse mesmo ano, Chico Science e Fred Zero Quatro (do grupo Mundo Livre S/A) escreveram um Release, que acabou se tornando o manifesto do movimento Manguebeat: o Manifesto dos Carangueijos com Cérebro.

A presença da tecnologia é uma marca do movimento, que engajava-se para a melhor exploração do mangue e alertando a todos que ali encontra-se os Caranguejos com cérebro, sempre antenados.  Uma antena parabólica fincada na lama tornou-se, assim, o símbolo de um dos principais movimentos dos anos 90 no Brasil. Lutando por melhorias sociais na vida da população, não só do Recife e do estado de Pernambuco, mas como de todo cidadão brasileiro.

Uma história, longa caminhada por milhões de outros lugares. A banda hoje suscita o manguebeat e mostra para que veio. Hoje também faz nascer outros sons, de um trajeto semeado por muitos anos. Nação Zumbi sustenta ser até hoje uma das bandas mais respeitas e representantes da música brasileira.

Fonte : FICA

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