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A África dentro da gente

Mesmo com aproximações históricas, literatura africana ainda é pouco conhecida no Brasil

Por Vinícius Marques

áfrica

Foto: Divulgação/ A Cor da Cultura 

A África fica do outro lado do Atlântico, e ao contrário do que muita gente pensa não é um único país e sim um grande continente composto por 53 países independentes com seus respectivos povos e culturas. Por esse mesmo oceano que nos separa vieram os primeiros africanos para o Brasil, e que hoje fazem parte da nossa cultura, do nosso povo e da nossa formação. Mesmo com as heranças da África, grande parte das pessoas tem pouco conhecimento da grandeza dessa terra.

Essa falta de conhecimento da literatura e cultura da África no Brasil é de se estranhar, uma vez que grande parte da população do nosso país é negra e as culturas africanas também fazem parte da nossa história. Existe uma lei, a 10.639, que foi publicada no Diário Oficial da União em 2003, no governo do então presidente Luiz Ignácio Lula da Silva. Ela torna “obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira” nas instituições de ensino para resgatar a contribuição do povo negro para o Brasil. Já se passou mais de uma década e a lei, que era para entrar em vigor a partir da data de sua publicação, não está sendo aplicada com tanta força.

A professora de literaturas africanas Rita Chaves, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Centro de Estudos Africanos lembra que a lei 10.639 foi resultado da pressão dos movimentos sociais. Para a professora um dos motivos do desconhecimento da literatura africana no Brasil é a “maldita tradição de virar as costas para o continente (África)”. Embora existam vários problemas, ela vê alguns avanços com otimismo.

Além da lei, nos últimos anos o Brasil teve um contato maior no âmbito da política externa com os países africanos. Para Chaves, esse tipo de ação favoreceu uma maior relação com o continente, mas não foi o bastante para superar todos os obstáculos. Ela destaca a falta de interesse no mercado editorial para publicação de livros do continente africano e ainda a postura tímida por parte das diplomacias dos países africanos para reverter esse quadro.

Algumas mudanças em relação à literatura africana no Brasil já são visíveis. Chaves lembra que no final dos anos 70, quando estava começando a estudar, só a USP havia um estudo mais expressivo e hoje várias universidades de outros estados também estão implementando centros de estudos em relação ao tema. “Estamos em um processo de reorganização do nosso terreno”, afirmou.

E para plantar as sementes nesse terreno, a professora Rita Chaves defende que as universidades devem assumir o papel para promoção de conhecimento sobre literatura africana com mais força. “Nós fomos formados por africanos, isso faz com que o Brasil tenha uma dívida inegável e indiscutível com a presença dos africanos aqui no Brasil”, avaliou.

 

A Cor da Cultura

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“Quando alguém vê o mundo apenas de uma cor não percebe a diversidade a sua volta.” Esse é um trecho do vídeo de divulgação do projeto A Cor da Cultura, criado para valorização da cultura afro-brasileira além contribuir para o fim do racismo. O projeto é uma parceria entre o Canal Futura, a Petrobras, o Centro de Informação e Documentação do Artista Negro (Cidan), a TV Globo e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Ele foi criado em 2004 e tem realizado produtos audiovisuais, ações culturais e materiais para serem aplicados nas salas de aula.

 

Mais informações:

Fundação Palmares

Globo Cidadania 

Fonte : FIC

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