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Cadeirantes reclamam da falta de acessibilidade no transporte público

Desrespeito no embarque e as condições precárias do transporte comprometem a qualidade de vida da pessoa com deficiência na grande Goiânia

Por Júnior de Oliveira

 

Gustavo Gabriel tem apenas três anos e é cadeirante. Sempre sorridente e muito brincalhão já conhece bem a realidade de quem depende da acessibilidade no transporte coletivo da capital. O filho e o pai, Abel, fazem o mesmo trajeto mais de uma vez por semana e não raramente até duas vezes ao dia. Como ainda não conseguiram uma vaga nos coletivos 100% acessível, precisam pegar três ônibus até chegar ao centro de reabilitação.

Para o pai, a viagem seria mais rápida e menos cansativa se todos os ônibus contassem com elevadores ou pelo menos os que já existem funcionasse corretamente. “Às vezes os ônibus que passam não têm elevador, então eu tenho que erguer a cadeira com as próprias mãos. Já fiquei até duas horas no ponto esperando por um ônibus em que eu conseguisse embarcar com o Gustavo”. Desabafa o pai do garoto.

Despreparo

A única vaga que existe no ônibus é suficiente quando só há um deficiente físico. Mesmo assim, o cadeirante corre o risco de não conseguir embarcar. Os elevadores que deveriam democratizar o acesso ao transporte coletivo simplesmente não funcionam. E quando funcionam é o motorista quem tem dificuldade de manusear o equipamento.

O despreparo de alguns motoristas compromete a qualidade da viagem. “Às vezes, o motorista vem resmungando e gente fica envergonhada. Em alguns casos o motorista dá um jeitinho e coloca duas cadeiras no espaço reservado ao deficiente. Mas o certo é uma cadeira por espaço”, ponderou Antônia Alves Pereira, avó de Thiago Cardoso de 6 anos que também é cadeirante.

Já Neuzair da Silva, mãe de Leandro Junior, 10 anos, reclama da incompreensão dos próprios usuários.“Alguns usuários reclamam do barulho da campainha, outros dizem que a cadeira de rodas atrapalha e muitos não cedem a cadeira do acompanhante. Eu fico muito constrangida com isso”.

De acordo com dados da RMTC cerca de 80% dos seus ônibus coletivos contam com elevadores para o embarque de cadeirantes. A RMTC ainda disponibiliza uma frota 100% acessível. Mas o que se vê no dia a dia, são muitos ônibus sem condições de transportar os deficientes físicos, o que compromete a locomoção do cadeirante pela capital e região metropolitana.

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