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Cinema como extensão do corpo

Quando a sexualidade se projeta em telas e chama o público brasileiro para assistir

Algumas coisas vêm com a gente desde antes do nascimento, como tendência por ficar alto demais, roupinhas azuis, o nome e a cegueira do Leo. Mas outras coisas costumam aparecer mais tarde , como a chegada de um menino novo na escola do Leo, o Gabriel. Esse evento é o sopro na fila de dominós que ativa num canto misterioso do cérebro um sentimento bonito chamado amor. Leo está apaixonado por Gabriel.

“Como assim, apaixonado?”, pergunta Giovana, a melhor amiga do Leo. “Apaixonado de namorado”, termina a declaração do Leo, um menino ainda e um menino para sempre, porque sua meninice foi fossilizada dentro de Eu não quero voltar sozinho (2010), curta-metragem do cineasta Daniel Ribeiro. O diálogo acima é a representação de uma cena do curta, que tornou-se o filme Hoje eu quero voltar sozinho (2014), do mesmo diretor.

Pesquisador de gênero e sexualidade e diretor da Faculdade de Ciências Sociais da UFG, o professor Luiz Mello conta que a presença de crianças em filmes assim é singular, porque “o pavor da expressão de afetos em relação aos homossexuais são as crianças. A lei na Rússia, em tese, é para proteger as crianças. Não podemos passar o beijo gay na TV porque as crianças assistem, como se ao presenciar a cena elas se tornassem homossexuais no susto!”.

Flores Raras

Outra produção brasileira a abordar um romance gay, e que teve dificuldades no orçamento por falta de patrocínio, foi o filme do diretor Bruno Barreto, Flores Raras (2013). Na porta do cinema, depois de assistir ao filme, a estudante de Biomedicina Fernanda Rezende, 18 anos, disse que gostou do que viu, mas se incomodou com a masculinidade da personagem de Glória Pires. “Parece que eles estavam tentando mostrar o estereótipo da lésbica meio macho”, relatou.

Para organizar melhor este pensamento, o professor Luiz Mello lembra o quanto o cinema nacional, em geral, sofre com a queda na produção e com o preconceito. Ele joga a questão numa linha do tempo: “há trinta anos, estas discussões eram muito mais difíceis do que agora e as coisas tendem a melhorar”. Neste ponto, a visão do professor é otimista quanto à mudança da perspectiva gay pelos filmes nacionais.

Fonte : FIC

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