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Teste de Bechdel para crianças

Filmes infantis estão finalmente se cansando do estereótipo de princesa frágil esperando o príncipe encantado

ValenteFonte: Pílula Pop

 

Por Alice Orth

 

Em 1985, surgiu, em uma história em quadrinhos, o Teste de Bechdel, criado pela escritora Allisson Bechdel. Ele avalia minimamente o equílibrio de gêneros em filmes, e para passar no teste, basta que a história atenda a três quesitos: tenha pelo menos duas personagens femininas com nomes; que essas personagens estabeleçam diálogos de no mínimo 60 segundos entre si; e que os diálogos não sejam sobre homens. Incrivelmente, poucos filmes são aprovados pelo teste. E se as notícias já eram ruins considerando toda a indústria cinematográfica, é ainda mais difícil quando se trata de filmes voltados para o público infantil.

Produções recentes, entretanto, têm quebrado essa regra. Filmes que mostram personagens femininas com personalidades complexas, independentes e que não precisam passar duas horas na tela esperando pelo príncipe encantado têm aparecido ainda timidamente, mas de forma animadora. Valente e Frozen, duas animações dos estúdios Disney, têm sido celebrados por apresentarem características diferentes dos tradicionais e já cansativos contos de fadas.

Outro filme que acabou de chegar nos cinemas e também foi apontado como representante dessas mudanças. Malévola, também da Disney, mostra a antagonista como uma personagem que apresenta muitas dimensões, onde não nada é inteiramente bom ou mal. A clássica vilã é mais complicada do que aparenta, trazendo uma história com várias facetas. Assim como em Frozen e Valente, o romance não é a salvação para tudo, e o amor entre figuras femininas é incentivado.

Carmem Curti, mãe de duas meninas de um ano de idade, diz que ver essa tentativa ainda que lenta da indústria de não deixar o público feminino de lado é revigorante. “Fico aliviada por saber que minhas filhas não vão crescer sendo expostas a ideia de que alguém, um homem, em algum momento vai salvar a donzela e tirar ela daquela vida horrível que ela leva”, diz Carmem. Para ela, “é ótimo ver histórias que mostram o amor entre duas irmãs, mãe e filha, guerreiras, arqueiras, bruxas poderosas, rainhas, meninas e mulheres que não precisam nunca de figura masculina nenhuma pra se sentirem capazes.”

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