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Pelo direito de ser

Para a presidente da Comissão de Direito Homoafetivo  da Seção  Goiás da OAB, Chyntia Barcellos, a criação de leis que criminalizem a homofobia é imprescindível para o fim do preconceito

 

           Por Denyze Nascimento cinthya

             Foto: Arquivo Chyntia Barcellos                                                            

 

Jovens Jornalistas: Você acha que homossexualidade é uma questão de moral? 

Chyntia Barcellos:Para mim, a homossexualidade é uma questão natural do indivíduo, ou seja, é uma orientação sexual, assim como a heterossexualidade e a bissexualidade. Para os estudiosos, é um fenômeno biopsicossocial, algo intrínseco ao ser humano e não há como alterar esse estado.

JJ: Como você vê os movimentos LGBT em Goiás?

CB:O movimento social LGBT em Goiás tem tradição com importantes lideranças que se destacam não só aqui, mas nacionalmente. Ele vem se organizando cada dia mais e daí surgindo novas lideranças, que reforçam a visibilidade necessária e a busca incansável por direitos iguais. Minha visão é positiva e aos poucos começo a enxergar uma maior integração, o que é bastante positivo para a luta.

JJ: O que falta para grande parte da população enxergar o homossexual como um ser "normal"?

CB: Faltam políticas públicas adequadas e efetivas, especialmente no que tange à educação. O governo ainda tem políticas tímidas, que demonstram algum esforço, mas longe do ideal. É preciso encarar a questão de frente, como séria, comprometedora e atual. Por outro lado, cada um pode fazer sua parte, o setor privado também é responsável. Questões de homofobia ora ou outra batem à porta das empresas e instituições, por isso é preciso um olhar atentamente e buscar capacitação e entendimento para a diversidade. 

JJ:  Desde o ano de 2003, o número de mortes causadas por homofobia aumentou 60%. O que você pensa sobre as atitudes da Justiça em relação a estes casos? A criação de leis seria suficiente para inibir o preconceito contra homossexuais?

CB: Nos casos de homofobia, uma lei que criminalize essa questão é imprescindível. A lei não irá diminuir os casos, essa diminuição tem a ver com a resposta da questão anterior, mas ajudará a coibir e dar resposta concreta a esse lamentável fato.

JJ: Atualmente grande parte das novelas mostram personagens gays. Você acha que isso ajuda na diminuição do preconceito ou contribui para criação de estereótipos? 

CB:As novelas trazem questões sociais relevantes e outras nem tanto. Tem, sem dúvida, um papel importante no combate ao preconceito, mas sabemos que a questão comercial é real. E, ainda fazendo um balanço, para mim, o saldo é positivo.

JJ:  Para  uma grande maioria, se uma criança for adotada por um casal do mesmo gênero, ela pode ser tornar um gay. A senhora acredita nesta visão?

CB:De forma alguma. Isso é um tabu, porque a grande maioria das pessoas homossexuais vem de famílias nas quais os pais são heterossexuais. Segundo estudos e psicólogos, a orientação sexual dos pais tem pouca influência na vida dos filhos, o que importa no final das contas é o afeto, amor, segurança.

JJ:  O que você acha sobre as atitudes do governo em relação aos homossexuais, por parte da adoção e casamento gay? 

CB:O Brasil precisa se apoderar do discurso para as minorias, especialmente, para as questões LGBTT. O governo precisa ter posicionamento claro e acertado, sem amarras políticas e religiosas. O imprescindível para isso é a efetivação de leis pelo Congresso Nacional, que ainda é silente, omisso e tendencioso nesses casos.

JJ: Há homossexuais que criam igrejas como meio de encontrar conforto e aceitação. Do seu ponto de vista, a realização de um casamento homossexual na igreja deve ser visto com bons olhos?

CB: Essas igrejas são chamadas igrejas inclusivas. No meu ponto de vista um mundo ideal seria onde as pessoas pudessem viver e conviver livremente nos espaços públicos, religiosos e privados sem ter que se separar em guetos, mas isso ainda é pouco provável em nossa sociedade machista e heteronormativa.Acredito no direito de todos à igualdade, dignidade, liberdade e na busca da felicidade. E se essa busca for por uma benção religiosa, por que não? Vai depender de cada um. Mas, de qualquer forma, analisar a questão religiosa não me compete.

 

 

 

Fonte : FIC

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