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O trono de poucos

Lista da Forbes coloca duas famílias do ramo da comunicação entre as mais ricas do Brasil

Família Marinho

Fonte: UOL

 

Por Bruna Aidar

Em Notícia de um Sequestro, Gabriel García Márquez sentencia: “O jornalismo é o poder sem trono”. Talvez. Mas no Brasil os donos das grandes empresas jornalísticas já seguram o cetro há anos. As 15 famílias mais ricas do Brasil foram elencadas recentemente pela Forbes. Dentre elas, duas do ramo de mídia: em primeiro lugar, os Marinho. Em décimo primeiro, a família Civita.

A fortuna dos três herdeiros de Roberto Marinho, que controlam as Organizações Globo, é estimada em US$ 28,9 bilhões. Os três Civita, que também herdaram empresas de mídia, comandam a editora Abril e têm uma fortuna de US$ 3,3 bilhões. Fora estas, o Brasil conta ainda com a família Sarney, dona, por exemplo, do Sistema Mirante de Comunicação, que conta com a Rede Mirante, afiliada da Globo no Maranhão, duas estações de rádio (AM e FM) e o jornal líder de mercado O Estado do Maranhão.  

No Alagoas, quem comanda grande parte da mídia são os Collor de Mello. Em São Paulo, os Frias e os Mesquita controlam dois dos maiores jornais do Brasil, respectivamente, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. O bispo da Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, é o maior acionista da Record. Silvio Santos, do SBT, detém 13,4% do mercado midiático brasileiro. Em Goiás, quem tem o monopólio são os Câmara. Por fim, a família Sirotsky, que é dona do grupo RBS, responsável pelo jornal Zero Hora e emissoras de TV e rádio.

Segundo a professora da Universidade Federal de Goiás, Luciene Dias, a pesquisa reflete a reprodução de um paradigma em que “o poder da mídia é exclusivo daqueles que têm dinheiro para comprar os instrumentos de produção”. Para ela, os Marinho em primeiro lugar de uma lista como essa é um espelho do que acontece em todo o país.

Bruno Marinoni, em artigo publicado no Observatório da Imprensa, resume o problema desta concentração: Poder demais. Poder econômico e cultural (ideológico, simbólico ou como se quiser chamar)”. Poucos grupos disputando a coroa de uma das maiores garantias de democracia em um país.  Fica a pergunta: assim, como pode o poder emanar do povo?

Fonte : FIC

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