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Greve dos servidores da cultura

Entrevista com uma servidora do IBRAM em greve

Montagem bem humorada anuncia paralização

Os servidores federais da cultura vêm organizando uma série de paralizações em todo o país desde abril, reivindicando mudança na tabela salarial, contra a perda de gratificação na aposentadoria e uma série de acordos não cumpridos pelo governo federal, assinados nos anos de 2005, 2007 e 2012.

Nacionalmente a greve está sendo organizada pelo Condsef, que vem denunciando como "política sistemática de desvalorização da cultura" a diminuição do quadro de servidores, o sucateamento das instituições culturais e do patrimônio cultural. Ruth Vaz, 28 anos, não é liderança, nem faz parte do comando de greve, mas contou um pouco do processo desse movimento como servidora grevista:

Quais são as funções do trabalho do servidor da cultura?

Ruth: As funções do trabalho dos servidores da cultura são variadas, seguindo as necessidades de cada órgão. No caso do IMBRAM, temos servidores que atuam tanto em obras do PAC quanto dentro da administração de museus e em trabalhos de pesquisa no campo da museologia e da memória. Temos também servidores em áreas de licitação, em comitês internacionais, enfim, a gama de serviços é grande e complexa e envolve inclusive outros ministérios e interesses do Governo Federal com, por exemplo, a execução de obras para a Copa do Mundo.

 Como foi a mobilização entre servidores para deflagrar as paralizações no Distrito Federal?

Ruth: Eu entrei no IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus) no fim de fevereiro e a mobilização para a greve já estava acontecendo, a partir de reuniões dentro dos órgãos e nas assembleias dos sindicatos. As atividades se intensificaram no final de março e abril, quando iniciamos a agenda de paralisações. Foi a partir da mobilização para as paralisações que tivemos uma noção melhor da adesão dos servidores para deflagrar a greve.

 Quais são os níveis de paralização?

Ruth: A adesão às paralisações e à greve tem seguido a realidade de cada servidor. Alguns casos específicos impedem que os servidores entrem em greve; outros simplesmente não veem nas paralisações e na greve perspectiva de alcançar nossas reivindicações. O que é normal. Felizmente, a adesão é positiva. Temos uma greve de fato nacional. Vários servidores em diversos Estados do país tem se declarado a favor da greve.

 Como tem sido as táticas para alcançar as reivindicações e qual sua perspectiva em relação à greve?

Ruth: Posso dizer que cada estado adota uma postura diferenciada nas ações para alcançar as reivindicações de greve. Além disso, aqui em Brasília nossa agenda é planejada de acordo com os resultados alcançados diariamente. Analisamos o que foi realizado em um dia para pensar no seguinte.

 Qual sua perspectiva em relação à greve?

Ruth: Pessoalmente, acredito muito na greve. Os servidores como um todo estão insatisfeitos com as condições de trabalho e a falta de reconhecimento da Cultura como um todo por parte do Governo Federal. Precisamos de uma carreira que garanta que os servidores desejem ficar nos órgãos. Por exemplo: Eu. Inadmissível trabalhar para o Executivo na perspectiva de se aposentar recebendo menos de R$2 mil reais, quando sabemos que outras carreiras são bem melhor remuneradas. E esse é só um exemplo, existem outras questões que vão além da nossa remuneração.

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