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Inflação

Salários versus impostos

Como a inflação e os impostos têm prejudicado o cidadão brasileiro

Por Sthéfany Alves

      A vida do trabalhador assalariado está cada vez mais difícil quando o assunto é dinheiro. A estrutura bancária com inflações altíssimas tem pesado muito sobre a folha de pagamento. Inflação é o aumento de preços ao longo de um período, já a deflação ocorre quando os produtos e serviços ficam mais baratos. Em linhas gerais, a inflação ocorre quando têm muitos consumidores querendo comprar determinado produto, mais do que a quantidade disponível no mercado. Sendo assim, o vendedor aumenta os preços.

    A inflação salarial, por sua vez, consiste em atribuir ao aumento salarial a inflação que já existe. A “espiral inflacionária” consiste no seguinte esquema: os salários aumentam, contudo, os preços de alimentos, serviços e bens de consumo aumentam consideravelmente também, não beneficiando o trabalhador, uma vez diminuindo o poder de compra do mesmo.

   Por vezes, ocorre também o achatamento salarial ,que é ainda pior, já que o salário fica bastante inferior à inflação. Diante disso, cresceu muito nos últimos anos o número de trabalhadores informais no Brasil, gerando a crise do sistema terciário, que uma vez constituído de trabalhadores autônomos, é prejudicado quando a maioria desses caminham para a informalidade.

 Brasil

       O Brasil como um todo tem sido afetado pela estagnação econômica do mundo rico, sobretudo com a desaceleração da economia chinesa. O Brasil de 2013 e do primeiro semestre de 2014 pode até ter tido crescimento econômico, porém conta com desajustes graves como a maior inflação, o maior déficit nas finanças públicas e maior buraco nas contas externas.  

     O que anda ocorrendo é o incentivo desenfreado ao consumo, porém, o controle fiscal e mais investimentos na mão de obra, rejeitados pelo atual governo, seriam as medidas cabíveis para melhorar, sobretudo, o dia a dia do brasileiro que padece diante da economia do seu país.  

       O professor, especialista em economia e presidente do IBGE de Goiás Edson Roberto Vieira, explica que o imposto incide sob o salário do trabalhador de diversas maneiras. “Há o desconto do INSS que varia de 8% a 11% do salário e depende do salário do trabalhador, sendo limitado pelo teto do INSS.

   Por sua vez, o Imposto de Renda a ser descontado do salário do trabalhador deve ser calculado sobre o valor da remuneração já com o desconto do INSS. A parcela paga varia de 7% a 27,5%, dependendo da faixa salarial, menos uma parcela fixa, definida também de acordo com a faixa.”, afirma Edson.

Dia a dia

    Segundo o professor Edson, as pessoas de baixa renda são mais afetadas pela inflação porque não têm a sua disposição muitos mecanismos de defesa. Ele diz que “Os mais ricos podem se defender do poder da inflação, por exemplo, por meio de aplicações financeiras. Por outro lado, muitas pessoas mais pobres sequer possuem contas bancárias”.

      A incidência dos vários impostos existentes no Brasil (ICMS, IOF, IPI, PIS, PASEP, COFINS, CIDE, ISS,etc)  depende do produto produzido, da destinação final e do local onde o produto é feito ou consumido, já que os tributos podem ser federais, estaduais ou municipais e podem haver incentivos concedidos por alguns desses federativos.

       Para a dona de casa Maria de Fátima, a cesta básica está cada vez mais difícil de ser montada. “Eu vou ao supermercado com 50 reais, e volto com duas sacolinhas para casa. O dinheiro não está valendo nada. Não dá pra comer carne de primeira todo dia. O tomate, dias atrás, virou artigo de luxo na minha casa.”, afirma Maria.

      O vendedor de capinhas para celular Élio Santos diz que preferiu trabalhar por conta própria, sem carteira assinada porque ganha muito mais desse modo. “É claro que trabalhar com carteira assinada tem seus benefícios, seguros, etc. Mas o salário líquido é muito inferior ao salário que eu consigo fazer trabalhando sem carteira. Só o INSS e o imposto de renda, me tiram quase a metade do dinheiro. Eu prefiro correr os riscos de ser um trabalhador informal do que passar fome”, enfatiza Élio.

      Para o professor Edson, a vida do cidadão Brasileiro pode melhorar se a inflação baixar. “Um cenário com uma inflação mais baixa gera benefícios especialmente para o cidadão de baixa renda. Além disso, com um poder de compra maior, as pessoas podem consumir mais e isso incentiva a produção e a geração de emprego”, conclui o especialista.

 

 

Fonte : FIC

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