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Mais que códigos

Desenvolvedores encontram dificuldades para atuar na área de games em Goiás

Por Nayara Urzêda

Inovação tecnológica não basta. Os consoles de última geração seriam apenas objetos decorativos com inúmeros componentes escondidos, não fosse à criatividade e motivação desses profissionais. Além desses fatores, raciocínio lógico e desprendimento são características fundamentais aos desenvolvedores de jogos.

Ainda na adolescência, o programador Raphael Rodrigues, de 28 anos, tornou-se um curioso por games. Instigado pela possibilidade de desenvolver seus próprios jogos, fez dos desafios enfrentados por esses profissionais no estado o estímulo para aperfeiçoar-se na área.

Segundo ele, o mercado em Goiás é restrito e foram tutoriais e fóruns que o auxiliaram bastante para não desistir dos códigos. Quanto à formação, não há cursos voltados para a área de games, ao contrário de São Paulo, onde existem faculdades que, inclusive, oferecem pós-graduação e mestrado.

 

Falta de incentivo 

A falta de incentivo do governo, no que tange a questão de impostos, é outro fator de peso. Isso acontece não apenas em Goiás, mas no Brasil todo. No entanto, as comunidades e os eventos estão crescendo. Alguns encontros como a GO Game Jam e Game Party mostram que há público na capital goiana e só reafirmam a importância de se investir em conferências para programadores.

Ainda nesse contexto, a The Developers's Conference (TDC) em suas edições tem abordado diversos temas de empreendedorismo, testes, bem como automação, e ao ampliar o networking, possibilita a interação com desenvolvedores de outras regiões do país.

De acordo com Euler Guimarães Lobo, que trabalha na empresa Digital Midia Web (DWM), desenvolvedora web e de aplicativos para mobile, essas ações abrem um novo leque de oportunidades de emprego que refletem em todos os setores. “Quem lucra não são apenas os programadores, mas também o estado que se beneficia com o surgimento de novas empresas”, destaca Euler.

Já para Raphael Rodrigues, o desconhecimento é um fator negativo para a atividade, que trata inúmeras linhas de códigos para que determinado elemento se mova, exploda ou tenha comportamento específico, não é valorizada tampouco conhecida pelos consumidores de games. “Muitas pessoas não enxergam a dificuldade para se fazer esse trabalho”, comenta Rafael Sousa Oliveira, analista de sistemas e redator chefe do site GoJava.org.

Uma estimativa da Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames) revelou dados animadores sobre o mercado de produção de jogos. São mais de 500 novas vagas abertas por ano, no entanto, praticamente todas oferecidas no estado de São Paulo.

Os programadores Raphael Rodrigues e Rafael Sousa Oliveira, em maratona de desenvolvimento de jogos

Os programadores Raphael Rodrigues e Rafael Sousa Oliveira, em maratona de desenvolvimento de jogos (Foto: Nayara Urzêda)

 

Mudança de objetivo  

Devido às dificuldades encontradas, muitos vão para outros segmentos, pois faltam empresas que permitam atuação com jogos mais elaborados, já que um projeto para console demanda tempo e dinheiro.

Nesse ínterim, elas acabam fechando contrato para fazerem advergames (jogos para marketing), acabam fechando contrato para fazerem advergames (jogos para marketing), que nem sempre é algo empolgante para os que visam o mercado dos videogames e PCs.

“Advergames se tornam uma opção comercialmente mais interessante para desenvolvedores que não possuem recursos próprios ou um investidor, porque trata de projetos menores, rápidos e com retorno financeiro garantido”, afirma Raphael Rodrigues, formado em Desenvolvimento de Software e graduado em Gestão de Tecnologia da Informação.

Nos últimos anos, foram os advergames e os jogos corporativos, que são usados para treinamento de funcionários, que sustentaram o crescimento da indústria nacional. “A sociedade se molda para acomodar mercados, lojas, cursos técnicos e superiores, assim o desenvolvimento de games acaba marginalizado”, complementa Rafael Sousa Oliveira.

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