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Cora Coralina

Um passado Imortal

Com a falta de incentivo à literatura regional, os jovens não conhecem o passado do nosso estado

Por Mariana Felipe

Muitos já ouviram falar do escritor Hugo de Carvalho Ramos ou já compartilharam alguma frase de Cora Coralina nas redes sociais. Muitos jovens já leram Bernardo Élis no período de vestibulares, mas pouquíssimos leram livros de escritores goianos por prazer.

No Brasil, o público que mais lê é o jovem. Nessa faixa etária, os autores que chamam a atenção da maioria são os internacionais, sagas e trilogias que prendem os leitores. Essas leituras não devem ser menosprezadas, mas como sabemos, a literatura é construída com o tempo e forma parte do conhecimento cultural e histórico de um local: obras como “Ontem” , de Leo Lynce, colocam a paisagem do sertão profundo de Goiás, na década de 20, no cenário da modernidade brasileira, como a Semana da Arte Moderna já havia acontecido, em São Paulo.

A justificativa de muitos é o linguajar, dito arcaico. Mas essas obras poderiam, assim como muitas outras, ser analisadas em salas de aula, com ajuda dos professores. Valéria Valle é Comendadora da Academia de Letras de Goiás. Segundo ela, o cenário de valorização dos escritores goianos foi abraçado por algumas instituições do Ensino Superior do estado: “Essa integração pode proporcionar ao leitor uma (re)visão de mundo que esclarece, revela e reverbera a nossa história e a nossa cultura com suas diversas e diferentes linguagens”, afirmou Valéria.

O fato é que esse incentivo não começa desde cedo e quando o curso não se complementa com a literatura regionalista, o jovem perde a oportunidade de estudar o próprio pertencimento, o seu lugar. A bióloga Nina Dionízio, 29 anos, disse que aprendeu com os pais o gosto pelos livros. Em contrapartida, ela afirma que em toda a sua vida de estudante, foi pouco estimulada na área. “Sendo assim, o pouco contato que tive com livros escritos por autores goianos foi praticamente acidental"; completou Nina.

Ver a quantidade de jovens que foram às ruas no ano passado, nos faz ver o quanto o sentimento de “não pertencimento” tem nascido em todos, em meio ao caos e a falta de planejamento da cidade de Goiânia. Há leituras que poderiam nos levar a entender o nascimento e a construção da capital, como “Memórias do Vento”, de Carmo Bernardes, e dar assim, mais veracidade aos gritos por melhorias, introduzindo neles a “melodia do cântico na terra” dos nossos autores, como Cora Coralina. Segundo a poetisa, os que fazem isso são imortais. 

Fonte : FIC

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