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Galeria urbana na margem da percepção

Intervenções preenchem com arte o concreto das ruas e a visão periférica dos passantes 

Por Kaito Campos

Para marcar a Semana Nacional do Trânsito de 2013, realizada no mês de setembro, a SMT de Goiânia espalhou cerca de 200 cruzes brancas pela Praça Tamandaré. A ação procurou impactar quem passava pelas proximidades, no momento em que os crucifixos continham causas de mortes relacionadas a acidentes no trânsito, ao invés do nome dos falecidos.

Mensagens como “excedeu a velocidade” e “ignorou a faixa” interviram na paisagem da cidade. Aqui, explica-se que por trás do ato simbólico da SMT existe uma expressão artística denominada intervenção urbana. Para a professora de Artes Visuais da UFG, Sainy Veloso, toda ingerência de uma ação artística efêmera ou permanente no cenário público é uma intervenção.

Desta forma, um grafite, uma performance ou qualquer objeto de valor artístico também funcionam como o falso cemitério montado pela secretaria de trânsito. Segundo Sainy Veloso, “a arte envolve conhecimento e intenção de quem a faz, assim como sua significação por parte daquele que a vê”. Por isto, a ação pode passar despercebida para alguns, mas para alguém sensível e com tempo para fazer significar o que está vendo,  pode causar uma busca por significados.

História

A professora invocou o cenário da antiguidade de Roma: "A intervenção de artistas na cidade é bem antiga, embora com intenções diversas. Pompeia, a cidade romana destruída em 79 d.C. pelo vulcão Vesúvio, possuía inúmeros afrescos nas vias públicas. Mas a intenção não era a de intervir no cenário: as obras serviam de deleite, apreciação, beleza”, esclareceu.

Apesar da longevidade desta forma de expressão artística, o termo “intervenção urbana” é atual e carregado de problematização. Aqui, Sainy Veloso parte para uma situação hipotética: “Vamos supor que um dia acordamos com a estátua do bandeirante Anhanguera, na Avenida Goiás, coberta com um tecido e amarrada com cordas. A primeira pergunta será: O que é isso? O que está querendo dizer?”.

Sainy Veloso ainda prolonga seu raciocínio ao dizer que “ao se deparar com a estátua, aqueles que conhecem a linguagem artística e sua história reconhecerão que se trata de uma intervenção semelhante às realizadas pelo artista búlgaro Christo Vladimirov Javacheff."

Eles saberão o objetivo do artista, o lugar, a época, e assim poderão entender o que o suposto artista goiano está nos dizendo com esta intervenção. Mas, para a professora, aqueles que não conhecem arte, irão qualificá-la como um desrespeito, vandalismo ou não verão sentido nenhum. 

Fonte : FIC

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