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Cotas pra quê?

A discussão sobre cotas ainda hoje é assunto polêmico dentro e fora das universidades

por Ludimila Mendonça 

 

Educação pública, como um direito básico, não deveria trabalhar com a ideia de excedentes. Mas o ensino superior em universidades públicas usa o critério meritocracia pra definir quem terá acesso a esse direito, usando como meio o tão temido vestibular.


Há pouco tempo, antes da criação das cotas para estudantes de escola pública e estudantes negros oriundos de escola pública, um nivelamento forçado era imposto aos concorrentes. A disputa era entre alunos que tiveram acesso a uma educação básica particular, que infelizmente na maioria das vezes oferece mais qualidade e alunos que vinham de educação básica pública deixada de lado quase sempre pelos governantes.


A criação de cotas foi vista por muita gente como uma medida imediatista. Visto que pessoas que nunca se importaram com a qualidade da educação pública, ou não se manifestaram nesse sentido, de uma hora pra outra acharam grande necessidade em uma reforma de base na educação.


Uma reforma, um investimento muito mais pesado do que o atual em educação básica pública é obviamente uma necessidade. Mas quando a camada abastada brasileira dá esse grito, são os interesses dela que falam mais alto, ela apenas pensa em manter o status quo, onde um dos serviços públicos de maior qualidade que são as universidades tem como a maioria dos ingressos estudantes com maior poder aquisitivo.


Construir uma educação pública de qualidade desde a sua base pode ser um processo extremamente lento, não se sabe quanto tempo demoraria para existir um equilíbrio com o ensino particular. Mas a questão é que agora estudantes de baixa renda estão dentro das universidades e provavelmente terão mais chance de ajudar nessa construção para as próximas gerações.

Fonte : FIC

Categorias : Opinião

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