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Bandeirinha

Machismo em campo

A catarinense Fernanda Colombo sofreu duras críticas menos pelos erros que cometeu que por seus atributos físicos

 

Por Bruna Aidar

A catarinense Fernanda Colombo foi alvo de críticas de Mattos, presidente do Cruzeiro

Foto: Miguel Schincariol

 

Um dos assuntos mais comentados após uma rodada de jogos em algum campeonato são os erros de arbitragem. Eles acontecem praticamente em todas as partidas e deixam torcedores indignados. São assunto das rodas de conversas entre amigos e dos comentários da crônica esportiva. Mas embora o juiz e os bandeirinhas tenham afetado diretamente essas pessoas, as críticas recaem exclusivamente sobre a atuação deles. O mesmo nunca ocorre quando é uma mulher.

Fernanda Colombo Uliana foi o destaque das manchetes da vez. Em dois jogos consecutivos, ela cometeu sérios erros de marcação. No jogo entre São Paulo e CRB, ela marcou dois impedimentos inexistentes. Repetiu o equivoco no clássico entre Cruzeiro e Atlético Mineiro. Era de se esperar que a sua conduta e o seu preparo para auxiliar em jogos da série A do Campeonato Brasileiro fosse questionada, como ocorre com os demais árbitros.

Mas Colombo não foi criticada apenas pela atuação. A auxiliar catarinense tem 25 anos e é linda. Este fato tornou-se relevante nas reclamações sobre os seus erros. O presidente do Cruzeiro, Alexandre Mattos, disse que ela não tem preparo: “(...) os caras gritam e ela erra”. Mas, ao final do seu comentário, comentou o destaque que vem sendo dado à sua aparência dizendo: “se é bonita, que vá posar pra Playboy”.

Em qualquer página que tenha estampado esta notícia é possível ler pessoas dizendo que ela “fez alguém feliz” para chegar na Série A, sugerindo que ela tenha mantido relações sexuais com alguém que escala os assistentes para conseguir ocupar o posto.

Fernanda Colombo vai ser afastada dos próximos jogos para passar por treinamento e estudar os erros cometidos. É evidente que ela precisa melhorar. Mas não passou pela cabeça de ninguém a hipótese de que ela simplesmente tenha ficado nervosa com a pressão de atuar no maior clássico de Minas Gerais? Ela é a única assistente que teve atuações ruins? Parecia, pela fala de alguns, que saltava aos olhos que ela não tem nenhum mérito e que só conseguiu a vaga por sua beleza, jamais pelo seu trabalho.

O fotógrafo Flávio Tavares se aproveitou de um momento em que Colombo se abaixou para amarrar as chuteiras e tirou uma foto. A imagem estampa uma matéria do jornal Extra, da Globo, com a frase “A bandeirinha Fernanda Uliana Colombo foi clicada com o bumbum empinado” como legenda. Além desta notícia, outras mídias apontaram a posição da “musa” como indiscreta – e não a atitude de Tavares.

Como já é habitual em espaços de comentários em sites sobre futebol, muitos destilaram veneno, diminuíram Colombo e deixaram claro seu machismo. Mas e a mídia? Qual a necessidade de destacar o físico da profissional? Quantos árbitros e bandeirinhas têm seus traços descritos quando são criticados? Muitos dão o veredicto: “Futebol não é lugar de mulher”. É sim. Mas, para o público e as grandes empresas de comunicação, apenas quando é pra ocupar o posto de “bela da torcida”.

Fonte : FIC

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