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Entendendo o fim do para sempre

“ Acredito que os contos de fadas ainda existem”, disse o psicólogo Marcos Bruno. Porém, o “Felizes para Sempre” pode ser uma utopia quando os personagens são reais.

Por Mariana Felipe

 

Pesquisas mostram que o número de divórcios vem aumentando ao longo do tempo. Nos últimos anos, esse aumento chegou a 45% em relação aos anos anteriores. Consoante a isso, os casamentos tradicionais, aqueles de véu e grinalda, estão diminuindo e uniões informais – como as consensuais- se tornando a escolha de muitos casais. O que ocasionou essas mudanças ? Como os filhos ficam no meio dessas situações ? Essas e outras questões foram respondidas pelo psicólogo e estudante de filosofia Marcos Bruno. 

 

Jovens Jornalistas: Quais os motivos sociais que tem levado ao aumento do número de divórcios nos últimos anos?

Marcos Bruno: Os motivos sociais a meu ver que fizeram aumentar o número de divórcios são: a maior dedicação da mulher ao trabalho; a vontade de ser independente; o maior uso de métodos contraceptivos; e a subjetividade contemporânea, que preza por relacionamentos efêmeros.

 

JJ: Antigamente, os casamentos duravam mais, mas você acha que a vontade nos casais de se separarem sempre existiu? Por quê?

Marcos Bruno: Acredito que sim. Ainda mais devido à configuração dos casamentos de antigamente, que eram a base da força e da imposição. Um arranjo político que privilegiava mais a união dos patrimônios do que qualquer outra coisa. Relacionamentos em que pudesse manifestar as “livres” escolhas eram destruídos. Sendo assim, se dava a prevalência desse tipo de casamento obrigado.

 

JJ: Os divórcios aumentam e as uniões consensuais também. Por que os casais têm optado por esse tipo de união ?

Marcos Bruno: Por que são relações que podem ser desfeitas de acordo com o consenso. São menos rígidas, podendo ser desfeitas a qualquer momento. Relações desse tipo não possuem vínculos afetivos duradouros, como nos relacionamentos tradicionais, como é o caso do casamento. Acredito que é muito ligado a um projeto de vida comum, mas ao que parece as pessoas são bem resolvidas caso aconteça um término prematuro.

 

JJ: E quanto às mulheres, elas têm deixado de lado o sonho dos contos de fadas? Quais mudanças sociais levaram a isto ?

Marcos Bruno: Não. Acredito que os contos de fadas ainda existem, só que de acordo com o contexto cultural da época em que vivemos. Hoje elas podem não esperar o príncipe encantado, mas esperam o homem que seja bem sucedido e principalmente que elas sejam também bem sucedidas.

 

JJ: E para os casais que não querem optar pelo divórcio, o que pode ser sugerido ?

Marcos Bruno: Tentar realmente compreender o outro em sua diferença. Respeito aos limites individuais, não como uma forma impositiva, mas carinhosa. Ter consciência das adversidades da vida e saber lidar com elas. E tentar ao máximo ser fiel a si mesmo e no que acredita, para não se trair e deixar acabar um relacionamento que poderia ser muito bom.

 

JJ: Existem atitudes por parte dos pais que podem amenizar as consequências da separação na vida dos filhos ?

Marcos Bruno: Acredito que a preparação para o fato e o diálogo constituem fatos importantes para amenizar a dor da separação. Separações representam quebra de ideais. E para uma criança que ainda não dá conta de lidar bem com as consequências disto, o apoio dos pais, o carinho, o afeto e a compreensão por parte dos progenitores são importantes para a superação dessa dificuldade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte : FIC

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