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Morre Dom Tomás Balduíno, o bispo dos indígenas e da reforma agrária

Morreu na sexta-feira (2), aos 91 anos de idade, no Hospital Neurológico em Goiânia. Frade dominicano foi personagem central no processo de criação do Conselho Indigenista Missionário (CMI) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) 

 

Por: Janaína Vidal

 

 A Rádio Amazônia foi a primeira a dar a notícia do falecimento de um dos maiores símbolos da Igreja Progressista no Brasil e no mundo. “Morreu nessa sexta-feira (2), às 23h30, em Goiânia, o bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduino. O religioso tinha 91 anos e morreu em decorrência de uma tromboembolia pulmonar. Ele ficou internado de 14 a 24 de abril no Hospital Anis Rassi, em Goiânia. Teve alta hospitalar no dia 24, mas foi novamente internado no dia seguinte, no Hospital Neurológico, onde permaneceu até ontem”, informou a repórter Maíra Heinen.

Ao longo de três dias, milhares de pessoas se despediram de Dom Tomás. Seu corpo foi velado na Igreja São Judas Tadeu, no Setor Coimbra, domingo. Homenageado por diversos movimentos sociais, em que estiveram presentes indígenas e trabalhadores rurais, seu velório foi reverenciado por muita cantiga e violão. No meio do altar, entre os bispos, se destacava um indígena com seu cocar.

De lá o corpo seguiu para Cidade de Goiás, da qual era bispo emérito. Seu corpo foi velado e sepultado na Catedral Nossa Senhora de Santana, em que o caixão foi enterrado junto a um cocar, representando sua incansável luta pela causa indígena. Ao longo do dia, índios e lavradores se despediram de Dom Tomás.

Marcador da ligação perfeita entre a fé e o engajamento social e político, Dom Tomás Balduíno foi, durante toda sua vida, defensor intransigente dos direitos dos índios, dos trabalhadores sem-terra e dos mais pobres. Todavia, garantem que ele continuará presente nos pés que marcham por esse país e nas bandeiras que tremulam em busca de uma sociedade mais justa e igualitária.

Renato Balduíno, sobrinho do bispo, menciona: "para família, tio Paulo. Deixou como legado sua luta. Sempre firme e perseverante, dedicou sua vida aos mais pobres, e sempre foi celebrado em todos os lugares que comparecia".  

Na sexta-feira(9), será celebrada a missa de 7º dia na capela da Igreja São Judas Tadeu, no setor Coimbra.

 

Biografia

 

Dom Tomás Balduíno nasceu em Posse, no norte goiano, dia 31 de dezembro de 1922. Registrado como Paulo Balduíno de Sousa Décio, recebeu o nome de Frei Tomás ao ser ordenado religioso dominicano.

Cursou filosofia em São Paulo e Teologia em Saint Maximin, na França, onde também fez mestrado em Teologia. Em 1951 foi transferido para Juiz de Fora como vice-reitor da então Escola Apostólica Dominicana e também lecionou filosofia.

Em 1957, Dom Tomás foi nomeado superior da missão dos dominicanos da Prelazia de Conceição do Araguaia, no Pará, onde viveu de perto a realidade indígena e sertaneja. Na época a Pastoral da Prelazia acompanhava sete grupos indígenas. Para desenvolver um trabalho mais eficaz junto aos índios, o religioso fez mestrado em Antropologia e Linguística, na Universidade Nacional de Brasília, concluindo  em 1965. Estudou e aprendeu a língua dos índios Xicrin, do grupo Bacajá, e Kayapó.

O religioso foi nomeado Prelado de Conceição do Araguaia em 1965. Na época, ele defendeu os indígenas da ocupação de suas terras por empresas agropecuárias.

Em 1967, Dom Tomás foi nomeado bispo diocesano da cidade de Goiás, onde permaneceu durante 31 anos. Dom Tomás Também ajudou pessoas perseguidas pela Ditadura Militar.

Dom Tomás foi personagem fundamental no processo de criação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em 1972, e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1975.  A Assembleia Geral da CPT, em 2005, o nomeou Conselheiro Permanente. Por sua atuação firme e corajosa recebeu diversas condecorações e homenagens no Brasil e no exterior.

No dia 8 de novembro de 2006, Dom Tomás recebeu da Universidade Católica de Goiás (UCG) o título de Doutor Honoris Causa devido ao comprometimento do bispo com a luta pelo povo pobre.

A Universidade Federal de Goiás (UFG) também outorgou o título de Doutor Honoris Causa a dom Tomás em 2012.

 

Fonte : FIC

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