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Equilíbrio nas alturas

Slackline cresce como esporte e se populariza entre jovens

Por Carmem Curti

slackvidaReprodução: Arquivo/Matheus Barros

Dois pontos fixos, uma fita, uma braçadeira e o seu corpo é todo o necessário para a prática do slackline, esporte que surgiu como distração para escaladores em meados dos anos 80, na Califórnia. A aparente simplicidade cai por chão, sem trocadilhos, quando vemos o que é preciso fazer no exercício: atravessar uma fita sem perder o equilíbrio.

A prática ganhou as praias cariocas no começo da década passada, mas se firmou mesmo por volta de 2009, quando adentrou o território brasileiro e despertou o interesse de mais pessoas. E o que era só se equilibrar e andar de um lado para o outro da fita ficou um pouco mais ousado. “Me interessei pela calma que o esporte te trás, a maneira com que você busca o equilíbrio para se manter em cima realizando manobras” conta Caio Arraz, que pratica o slack por recreação. “É como uma espécie de meditação”, completa.

O slackline trabalha com a "equilíbriocepcão" (link em inglês), assim nomeada pelos próprios atletas, que é a noção de equilíbrio corporal, dificilmente desenvolvida em outros esportes. Graças à elasticidade da fita são possíveis inúmeros tipos de manobras, e por isso é visto como um ótimo exercício que só traz coisas boas a quem o pratica. “Traz muitos benefícios para a saúde, para a musculação, principalmente as pernas e abdômen, e o equilíbrio que te dá em tudo, não só no esporte” diz Caio.

Profissional


Muitas pessoas não só se interessaram como seguiram mais firme na prática – e estão transformando o slackline em mais do que um esporte tido como recreativo. “Não é qualquer um que consegue fazer as manobras que o Matheus Barros, atleta goiano de slackline, faz, o que mostra que o esporte tem que ter bastante dedicação”, explica Caio.

Matheus Barros, o exemplo citado por Caio e pioneiro da prática em Goiás, descobriu a fita a cerca de dois anos quando esta foi levada por um amigo para uma festa. “Esse amigo pesava uns 110 kg mas tinha o domínio de caminhar sobre a fita facilmente, e eu não conseguia dar nem 2 passos. Isso me deixou intrigado. Essa vontade de me superar e de desenvolver meu conhecimento corporal fez com que eu me apaixonasse pelo esporte logo no primeiro dia!”, conta Matheus.

O atleta explica que a medida que foi se desenvolvendo conseguiu aprimorar seu reflexo e até mesmo desempenho em outros esportes, graças a equilíbriocepcão adquirida, além de aliviar todos os tipos de tensões diárias por precisar se concentrar, naquele momento, apenas em seu corpo e na fita, esquecendo dos problemas.

 

Fonte: Youtube/Matheus Barros - Slackvida


Em Goiás, Matheus faz parte da GO!Slack, equipe que surgiu através da união dos praticantes da capital. “Essa união resultou na criação do primeiro centro de treinamento indoor de slackline do Brasil”, explica. Segundo Matheus, o esporte é muito novo e por isso ainda não tem calendário definido, mas ocorrem competições de alto nível em todo o país.

Por ser novo, também falta ao slack patrocínio. “Até hoje tive que correr atrás para competir, pois falta visibilidade e consequentemente apoio pro esporte, mas isso vem mudando”, expõe. “Eu vivo pro slackline só que infelizmente ainda não vivo do slackline. Pretendo, juntamente com minha equipe, viver do esporte, e pra isso é necessária muita organização burocrática - mas com vista do que já fomos um dia eu digo que já caminhamos muito nessa estrada para tornar esse sonho possível, agora é questão de tempo pra isso acontecer” torce Matheus.

Fonte : FIC

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