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Espaço dedicado a ciclistas em Goiânia ainda não é bom

Apesar de cobrir grandes quilômetros, ciclistas se sentem insatisfeitos com o modo de trafegar de bicicleta

por Renato Verissimo

Se entre 0,4% a 10% da população de Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid) usam a bicicleta como o principal meio de transporte, por que em Goiânia a área destinada ao uso é tão escassa?

Não é preciso ser um especialista para constatar a ineficiência de projetos favoráveis, ainda que eles existam. “É um absurdo. O grande problema das ciclo-faixas é que os trechos não têm continuidade” relata Guilherme Guedes, ciclista da Runaway Bike and Run, grupo que atua em Goiânia.

Em 3 anos de atividade, Guedes sustenta que as dificuldades para a mobilidade continuam as mesmas. “Nós não andamos mais em perímetro urbano como no começo quando frequentávamos os parques da cidade, mas apenas nos domingos e feriados. Nas ruas prevalece a lei do maior e os carros não respeitam muito” argumenta o ciclista.

O relatório do Bid mostra que o deslocamento diário em cidades de médio porte (como Goiânia), está entre 2 mil e 48 mil viagens. Ainda assim, muitas pessoas associam o uso da bicicleta ao baixo nível socioeconômico. Outros fatores como segurança e roubos também assolam a atividade.

Apesar da construção da ciclovia da T-63, que compreende 12 km passando por vários bairros da região, os erros, desde o uso a construção, são grandes. “A ciclovia da T-63 simplesmente acaba em uma ponte e recomeça depois dela. Dessa forma, o ciclista tem que sair do canteiro central e ir pra rua para poder continuar. É um absurdo” avalia Guedes.

O ciclista João Alexandre Scartezini pondera: “Temos, pelo menos, projetos de construção e trechos cobertos pela ciclovia, sem contar as ciclo-faixas durante o final de semana. É pouco e talvez mal usado, mas é um começo.” Goiânia é citada no relatório do Bid como uma das 11 cidades latino americanas que possuem um planejamento de ciclovias.

Agressões

Usando a bike como o principal meio de locomoção em Goiânia, Scartezini conta: “Eu sou agredido todos os dias, pelo menos uma vez por dia. Me falam para sair da rua, já me envolvi em acidentes, inclusive em um deles o motorista não prestou socorro”. De acordo com o relatório Mapa da Violência, o número de acidentes envolvendo ciclistas no Brasil cresceu 52% em 2013.

Guedes, em um dos “pedais”, como ele se refere à prática de andar em grupo pela cidade, ressalta uma vez específica em que um motorista agrediu verbalmente os ciclistas. “Estávamos em 10, e pensamos até que ele estava armado. Ele desceu do carro e ficou gritando contra a gente, depois percebeu que estava errado e parou.” Em 2010, o número de óbitos de ciclistas por acidente em Goiás foi o maior do Centro-Oeste com 83 mortes.

 

Fonte : FIC

Categorias : Comportamento

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