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Mercado da Comunicação. Como isso é possível?

Os conceitos de mercado e comunicação, distantes na semântica, tem na aplicação características bem próximas.

 Por Kamylla Moreira

 

O mercado é entendido, de acordo com Marx, por um contexto em que compradores e vendedores de bens e serviços realizam transações. Essas transações são dadas por leis de oferta e procura, e como sabemos, por vezes acabam desprivilegiando uns em função de outros. A cadeia continua resultando em um desnivelamento de posições, que se configuram em desigualdades de toda ordem.

Um outro pensador nos ajuda a entender a comunicação. Para Paulo Freire, a comunicação é a co-participação dos Sujeitos no ato de pensar, implicando uma reciprocidade que não pode ser rompida. Assim, comunicação é diálogo na medida em que não é transferência de saber, mas um encontro de Sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados.

Parecem conceitos bem diferentes, não? E são, mas a expressão mercado da comunicação pode dizer bem sobre o tipo de comunicação que é feita pelos grandes dominadores da informação. A escolha parece se estabelecer entre o lucro e as pessoas, e estas últimas tem levado crescente desvantagem nessa balança.

As faculdades de jornalismo formam todos os anos alunos especializados em lead, prontos para empacotar informações de maneira clara e atraente. Não se pensa em como ser um comunicador melhor, em como diversificar o discurso normativo, tampouco na inclusão dos diferentes grupos e sujeitos nas teias de produção dos conteúdos informativos.

Embora os grandes monopólios nos mostrem esse cenário desanimador, felizmente existem alternativas, mesmo que pouco vistas, que fazem da comunicação realmente um diálogo, como na concepção Freiriana. Se espalham pelo mundo todo jornais, blogs, rádios e tvs comunitárias e compartilhadas, formadas por pessoas que acreditam em uma comunicação democrática de fato.

Longe do discurso vertical, de uma comunicação feita de maneira impositiva, é necessário buscar a horizontalidade, a multiplicidade dentro de si e no mundo. Não que deixemos de perguntar quem, onde, quando e como, mas tudo deve fazer parte de um processo reflexivo muito mais profundo, em que a complexidade das questões sejam respondidas pelo diálogo.

Fonte : FIC

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