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Pelo direito de sonhar

Jovens jornalistas devem ter a chance de pleitear um bom futuro dentro da profissão sem serem abarrotados de pessimismo 

 

Sthéfany Alves

 

Inserida na sociedade contemporânea, está a famosa e difundida comodidade. De fato, é bem mais cômodo criticar uma realidade do que tentar transfigurá-la; é bem mais cômodo deslanchar palavras arbitrariamente, do que unir novas cabeças em prol daquilo que deve ser mudado.

No começo do ano de 2012, assisti a uma palestra do presidente do sindicato dos jornalistas do estado de Goiás sobre o mercado de trabalho jornalístico na atualidade, sobretudo no que tange ao jornalismo goiano. Segundo o tal presidente e mais alguns outros palestrantes, o jornalismo está defasado. Paga-se demasiadamente mal e não há espaço para novos profissionais. Em tese, foram longas horas de absurdo desestímulo e falta de respeito para com os que, assim como eu, sonham com um futuro na carreira.

Não é uma questão de utopia, tampouco uma questão de idealismo. Mas a realidade é construída por cada qual que anseia mudá-la. E desestimular os mesmos é de extrema covardia. É sabido que o jornalismo não é a profissão melhor remunerada na sociedade vigente. Contudo, há mesmo uma necessidade de colocar em pauta assuntos financeiros em um ambiente onde há, majoritariamente, jovens com sonhos, objetivos e metas que não necessariamente priorizam uma conta bancária recheada? Há mesmo uma necessidade de enfatizar todo o preconceito existente para com quem escolhe cursos -ditados pelo meio social- como ruins de serem feitos?! São essas e outras indagações que me deixaram absurdamente perplexa.

Não obstante, por vezes é dito que os jovens são o futuro da nação. Os jovens são possuidores da chance de mudar o mundo. Contudo, aqueles que, em tese, deveriam assumir um papel estimulador, contrariamente, afogam os estudantes em um mar de frustrações que não necessariamente serão nossas.

É preciso, portanto, ter cautela e saber que frustrações existem, mas vitórias também. E essas, por sua vez, só existem quando há tentativas. Quando o amor, a paixão e, sobretudo, o prazer estão intrínsecos ao seu ofício. E a conta bancária?! Pode ser que um dia ela se torne intensivamente atrativa. Mas também pode ser que, durante toda a vida, ela continue modesta, suprindo as necessidades e permitindo apenas alguns caprichos. Ainda assim, quando o seu trabalho for útil à sociedade, ou quando algo for mudado pelas suas ações, nenhum celular de última geração será mais gratificante.

Reclamar apenas não adianta. É preciso mobilizar. Passar aos futuros jornalistas uma imagem estapafúrdia da profissão que escolheram, com a desculpa de que estão retratando a realidade, é de uma falta de senso de futuro extrema. O futuro existe onde os sonhos existem. E esses, essencialmente, não podem e não devem ser destruídos por quem não mais consegue sonhar.

 

 

Fonte : FIC

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