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Copa de 2022: polêmicas, suborno e escravidão

Mesmo 4 anos após ser escolhido como sede, Qatar sofre duras críticas sobre a realização da Copa do Mundo de 2022.

Copa Qatar

Por Matheus Ferreira

Desde 2010, quando a FIFA decidiu que o Qatar seria a sede da Copa do Mundo de futebol no ano 2022, muitas polêmicas foram levantadas sobre a escolha. Afinal, o país escolhido não possui tradição nenhuma no esporte, não há grande interesse da população pela modalidade e as altas temperaturas podem ser empecilho para a realização dos jogos. Mesmo assim, a entidade garantiu a realização do evento, que será pela primeira vez sediado em um país árabe e muçulmano.

Quase quatro anos se passaram e o cenário é ainda pior. Em janeiro de 2014, o jornal de The Guardian revelou que nos últimos dois anos 382 imigrantes haviam morrido nas obras que estão sendo feitas para a Copa do Mundo. Trabalhadores que são oriundos principalmente do Nepal, mas havendo também pessoas da Índia, Paquistão Sri Lanka. Os números cresceram desde o começo do ano, estando em 1200 mortes, segundo relatório da International Trade Union Confederation.

Muitas dessas mortes estão relacionadas às condições de trabalho que estão submetidos os trabalhadores imigrantes, considerados mão-de-obra barata. Jornada de trabalho de doze horas, forte calor, salários retidos pelos patrões e passaportes confiscados são alguns dos problemas enfrentados. Segundo Salil Shetty, secretário-geral da Anistia Internacional, há altos níveis de exploração na construção civil do Qatar, conforme constatado pela entidade.

Compra de votos

Colocando ainda mais em dúvida a razão da escolha do Qatar para sediar o evento, outra denúncia do Guardian levou à investigações sobre possíveis subornos para que o país fosse escolhido. Em seguida, a France Football publicou um dossiê o qual comprovava que houve votos decididos por causa de interesses econômicos e políticos, estando inclusive o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, dentre os envolvidos.

O Comitê de Ética da FIFA iniciou um processo de investigação liderado pelo norte-americano Michael Garcia, sendo comprovado em seguida que o ex-presidente da FIFA, Jack Warner, recebeu US$ 2 milhões de Mohamed Bin Hammam, presidente da Federação de Futebol do Qatar. Isso apenas duas semanas após início da operação investigativa, levando a crer que muito há a se descobrir sobre os bastidores dessa edição da Copa do Mundo.

 Para Geraldo Donizete, torcedor e organizador e campeonatos amadores, ter a competição ligada a esse tipo de acusações é ruim para qualquer evento. “Se para as competições amadoras que organizo esse tipo de notícia já seria horrível, imagina para um evento do tamanho da Copa do Mundo. A gente fica triste pois a parte política está se sobressaindo ao futebol, que é realmente o que importa”, completa Geraldo.

 

Fonte : FIC

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