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Bandeirantes espaciais rumo a Marte

Projeto Mars One promete levar gente para morar no planeta vermelho a partir de 2023

Por Kaito Campos

 

Misture um bocado de futurismo com aquela ânsia de conquista de Napoleão. Depois, coloque tudo numa forma untada com coragem, deixe no forno e espere até 2023. É o que promete a iniciativa do cientista holandês Bas Lansdorp, intitulada Mars One, uma receita aparentemente simples, mas que conseguiu atrair o faro de mais de 100 mil pessoas pelo mundo. O objetivo é passar essa gente toda por uma peneira e selecionar quatro delas para viajar a Marte.

A viagem está marcada para daqui a 10 anos e tem a singularidade de garantir só a passagem de ida. Mesmo ciente de que ir a Marte significa se despedir da vida terrena, o estudante de Astrofísica pelo Observatório Nacional Douglas Rodrigues, 22 anos, é um dos 3 mil brasileiros que se inscreveram no projeto. Douglas defende sua inscrição pela “vontade de explorar outros planetas. Acho que pisar nas areias de Marte seria um feito na história igual ou tão grandioso a quando Neil Armstrong pisou na Lua”.  

O projeto recebeu o apoio de Gerard ‘t Hooft, vencedor do prêmio Nobel de Física de 1999, e de Paul Römer, um dos criadores do Big Brother, que pretende transformar a seleção dos participantes num reality show. É daí que vai sair o dinheiro para bancar a Mars One, uma quantia estimada em 6 bilhões de dólares. Mas entre um planeta e outro, paira a dúvida da possibilidade de juntar todos os ingredientes para colonizar um lugar tão longe e tão inóspito.

 

Contratempos

 

Inóspito é só um jeito técnico para dizer que não é fácil dar corda na rotina de existir em Marte, como mostra o documentário "Viagem a Marte" do programa Matéria de Capa. Isto porque a atmosfera marciana não tem oxigênio suficiente para a respiração, a gravidade é menor do que a da Terra, as temperaturas variam demais e a radiação cósmica é muito alta. A lista de questões aumenta porque da decolagem até o pouso vai durar uma contração de pálpebra quando tenta segurar o choro e é bem sucedida: oito meses e meio.

Ainda habitante de São Paulo, Terra, Douglas diz que enquanto a maioria das pessoas tende a recorrer ao desespero na iminência de um problema, “eu tenho tranquilidade para raciocinar e resolver esta situação”, disse. O medo maior de Douglas são as situações fisiológicas, que não podem ser resolvidas com calma. Por exemplo, em longo prazo, a ausência total de gravidade faz o corpo humano sofrer de osteoporose, atrofiamento dos músculos e disfunção no sistema circulatório. 

Fonte : FIC

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