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newsgame

Jogando o jornal

Newsgames modificam a forma de se ler notícia, e trazem mais interatividade ao jornalismo online.

Por Vinicius de Morais

 

As mudanças do jornalismo estão em pauta no mundo todo, o velho fazer jornalístico já não é o mesmo, e isso não é nenhum furo. Nos dias 4 e 5 de abril, aconteceu em Austin, nos EUA, o Simpósio Internacional de Jornalismo Online, e nele foi discutido um novo modelo de notícia: o jogo editorial, ou newsgame.

A web tem características hipermidiáticas que o jornalismo deve ficar atento para inovar e encontrar meios interativos e eficazes de difusão de informação, um deles é a intersecção entre notícia e jogo. No newsgame, segundo Geraldo Seabra, professor de jornalismo especializado em comunicação visual na PUC-Minas, em seu artigo NewsGames – Games como emuladores de notícia, o fato noticioso funciona como base narrativa de histórias desenvolvidas em suportes de games on-lines.

Os newsgames renovam, misturam e transformam as linguagens de outras mídias existentes: os jogos e o texto noticioso, incluindo vídeos, imagens e sons, visando uma grande interatividade. Howard Finberg, diretor do Poynter, um dos principais sites sobre jornalismo online, apontou que a taxa de retenção de informação no newsgame é de 70 a 80%, superior aos 50% das outras mídias tradicionais.

Newsgames no Brasil

Criado em 2003 pelos designers Gonzalo Frasca (Uruguai) e Ian Bogost (Estados Unidos), os newsgames são relativamente novos em todo o mundo, mas o Brasil não está muito atrás. Os primeiros passos brasileiros foram dados pelos jornalistas Fred di Giacomo e Rafael Kenski, que já tinham um know-how na área. Um dos exemplos de um embrião de newsgame criado pelos dois é o infográfico animado “O que acontece numa turbulência de avião?”, ganhador de bronze no prêmio Malofiej, uma espécie de Oscar da infografia.

O primeiro newsgame brasileiro foi o CSI: Ciência contra o Crime, que coloca o jogador como um investigador criminal, e complementa a matéria de capa publicada pela Super Interessante naquele mesmo mês. Desde então muitos outros newsgames surgiram no Brasil, que de acordo com o Rafael Kenski devem responder duas perguntas: “Ele diverte? Ele informa? Se alguma das duas respostas for não, ele está muito news ou muito game”.

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