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Copa para quem?

Com 3,7 milhões de crianças e adolescentes fora da escola, país do futebol investe alto em mobilidade urbana, reformas e construções de novos estádios para receber o Mundial de 2014.

Por Kamylla Moreira

Há exatos 94 anos atrás um país latino-americano tornava-se campeão do que viria a ser a maior competição de futebol do planeta. Anfitrião da primeira Copa do Mundo, o Uruguai participou de um torneio com mais 13 seleções convidadas pela FIFA. Alguns anos depois da 2ª Guerra Mundial, em 1950, o torneio voltou a ocorrer em território sul-americano. E foi no Brasil, de esperanças e ideais desenvolvimentistas, que o povo chorou a derrota em casa, perdendo a final para o Uruguai.

Passados 64 anos do triste episódio, o Brasil volta a se encher de entusiasmo, mas velhos e novos problemas ameaçam a perfeição do evento. Assim como na Copa de 50, a influência política e o financiamento público têm marcado as estratégias de organização do Mundial.

O Ministério do Esporte divulgou em 2010 que os investimentos em mobilidade urbana, reformas e construções de novos estádios nas cidades selecionadas totalizariam R$ 25,6 bilhões advindos do financiamento público. Para o Governo Federal é um investimento. A justificativa é a de que os grandes eventos aumentam a visibilidade do país e trazem mais turistas estrangeiros.

Em comparação com outros Mundiais, o evento no Brasil é o mais dispendioso. Em 2006, a Alemanha gastou na 3,7 bilhões de euros para sediar a Copa, cerca de R$ 10,7 bilhões. Em 2002, Japão e Coreia, gastaram juntos US$ 4,7 bilhões, cerca de R$ 10,1 bilhões. Na África do Sul, em 2010, o custo do evento foi de US$ 3,5 bilhões, perto de R$ 7,3 bilhões. Conclusão: a Copa do Mundo de 2014 será a mais cara da história.

Segundo dados oficiais, o Brasil investe hoje cerca de R$ 233,2 bilhões em educação. O Fundo das Nações Unidas para a Infância divulgou recentemente um relatório que conclui que 3,7 milhões de crianças e adolescentes brasileiros, de 4 a 17 anos, estão fora da escola. Para resolver apenas problemas de infraestrutura o Brasil deve aplicar R$ 25,277 bilhões para construir e equipar pré-escolas e escolas capazes de matricular todas essas crianças.

No país do futebol, os estádios padrão FIFA estão sendo construídos, assim, como podem, ao modelo de 1950. A política do governo apoia e assina embaixo. É investimento! É oportunidade! E com ingressos de até R$ 1980,00 o brasileiro já não sabe para quem é a Copa do Mundo.

Fonte : FIC

Categorias : Copa do Mundo

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