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Reykjavík, Islândia

Islândia: terra do gelo e da paz

O país mais pacífico do mundo e suas particularidades

Por Miqueias Coelho

Numa época de violência crescente em muitos lugares do planeta, é visível o desejo das pessoas de morar em um lugar onde ela quase não existe. Nomes como Noruega, Suécia, Austrália, Japão, Dinamarca, Canadá são talvez os que vêm à nossa cabeça quando se pensa em uma nação pacífica e quase ausente de conflitos. Mas nenhuma supera a Islândia.

O Instituto para a Economia e Paz faz uma avaliação anual do nível de paz nos países, o “Global Peace Index” (Índice Global de Paz). Na divulgação do ano passado, a Islândia foi considerada como o país mais pacífico do mundo. Mesmo possuindo um alto índice de armas per capita, o país apresenta um dos menores índices de criminalidade e violência do mundo, nunca em sua história passando de dois casos de assassinato por 100 mil habitantes, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes, UNODC.

O país está localizado no norte da Europa, é uma ilha vulcânica que foi habitada no século IX pelos navegadores vindos da Noruega. O nome Islândia significa “terra do gelo”, e não é por menos: as temperaturas de verão no país não passam de 15 graus Celsius e a neve por lá é presença constante durante nove meses do ano. Os 300 mil habitantes se espalham pelo litoral da ilha, já que as montanhas e geleiras do centro tornam o território quase inabitável. Destes, quase dois terços da população vive nos arredores da capital, Reykjavík.

Muita neve, pouco crime. Tanto é que enquanto as polícias do resto do mundo já mataram inúmeras pessoas, na Islândia isso só veio a acontecer em dezembro de 2013, quando a polícia local matou um homem que atirava com um rifle descontroladamente de seu apartamento durante a madrugada.

Vida na terra do gelo

Pedro Ziviani é um programador de computador brasileiro e vive em Reykjavík desde 2007. Seu blog, o Vida na Islândia, mostra um pouco aos brasileiros como é morar na terra do gelo. Segundo ele, um dos maiores impactos de alguém que sai do Brasil para morar na Europa, especialmente na Islândia, é sem dúvida a pacificidade. “Eu nunca vi alguém ser assaltado enquanto caminhando pelas ruas de Reykjavík”, afirma.

Mas Pedro alerta que a Islândia, como qualquer outro país, tem seus aspectos que podem agradar menos que no Brasil. “A falta de variedade no comércio, os preços altos, o isolamento geográfico, os altos impostos no geral e altos impostos de importação que acabam me privando de algumas coisas, a chuva e neve e vento incessantes, alguns aspectos da mentalidade dos islandeses e da sociedade em geral, e a língua são aspectos que dificultam a vida por aqui”, ele exemplifica, completando que em sete anos que vive no país, até hoje não tem a fluência desejada no idioma islandês.

Mesmo assim, para conseguir morar na Islândia, o processo burocrático é alto. Precisa-se visto de trabalho pedido pela empresa islandesa que deseja contratar um estrangeiro, que tem que provar que um islandês não é suficiente para aquela profissão. A única brecha é se a pessoa tiver cidadania europeia. Então, no final das contas, morar na terra do gelo, que é a terra mais pacífica do mundo, tem seus empecilhos.

Fonte : FIC

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