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Jovens Jornalistas - FIC UFG
Violência doméstica

Violência doméstica ainda precisa ser discutida

Pesquisa do Ipea mostra paradoxo existente na sociedade brasileira em relação às agressões sofridas dentro de casa

    

Por Amanda Damasceno   

 

A pesquisa “Tolerância social à violência contra as mulheres” realizada entre maio e junho de 2013 e divulgada em abril de 2014 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, mostra a tolerância da sociedade brasileira à violência contra a mulher. Especificamente sobre a violência doméstica, a pesquisa comprova que as pessoas tendem a acreditar que os problemas do casal devem ser resolvidos em particular a menos que envolva violência física. Confira a pesquisa

É importante lembrar que a agressão física não é a única forma de violência que ocorre no âmbito doméstico. A psicóloga Maria Cláudia Goulart esclarece, em entrevista ao blog “Eu só queria um café...”, que a violência doméstica é caracterizada por qualquer “ação ou omissão que prejudique o bem-estar, a integridade física, psicológica ou a liberdade e o direito ao pleno desenvolvimento de um membro da família”.

Apesar disso, a sociedade aparentemente só considera que há de fato violência doméstica e ela deve ser punida quando se chega à agressão física. Um exemplo disso é que 78,1% dos entrevistados concordam com a frase “homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia” enquanto 78,7% concordam com “o que acontece com o casal em casa não interessa aos outros”. 

Legislação

Lei 11.340/06 que ficou conhecida como Lei Maria da Penha buscou criar mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher em suas formas física, psicológica, sexual, patrimonial, moral entre outras. Além disso, ela estabeleceu a assistência que deve ser prestada à mulher vítima de violência doméstica e como a autoridade policial deve atendê-la. 

Mirian Beccheri Cortez, Guilherme Vargas Cruz e Lídio de Souza afirmam que para que a lei produza de fato benefícios é “indispensável uma gestão democrática dos serviços públicos responsáveis por coibir, prevenir e punir a violência doméstica contra a mulher, e dos dispositivos de assistência e proteção aos envolvidos” em seu artigo “Violência Conjugal: Desafios e Propostas Para a Aplicação da Lei Maria da Penha” publicado na  revista Psico.

Além disso, é importante que a sociedade perceba que a violência doméstica ocorre de várias formas e que uma não é mais ou menos grave que a outra e, portanto, todas as formas de agressão devem ser combatidas. A pesquisa do Ipea reconhece que a violência contra a mulher continua sendo um grande problema e que o desafio de enfrentá-lo é permanente e imenso.

 

 

Fonte: FIC