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Martim

De volta à ativa

Centro Cultural Martim Cererê parece já ter reconquistado seu espaço na agenda de seus frequentadores

 Laura Machado

Com um mês desde a reabertura, o famoso espaço de shows goianiense contou com recepção de braços abertos do público e eventos lotados. O Centro Cultural ficou fechado durante quase dois anos enquanto passava por uma reforma e teve sua reinauguração inserida dentro da programação de comemoração ao aniversário de 80 anos de Goiânia.

“Existe uma vontade de ocupar o Martim Cererê, os eventos que aconteceram aqui até o momento deram muito público, existe uma demanda reprimida de uma parcela da sociedade que é vinculada ao campo da cultura e das artes que tem interesse em voltar para o Cererê”, explica Márcio Júnior, Gerente de Salas e Espetáculos da Secretaria de Estado da Cultura.

Entre as mudanças promovidas pela reforma estão a adequação para acessibilidade dos teatros a cadeirantes, a mudança do material de isolamento acústico e a instalação de câmeras de segurança no espaço aberto do Centro Cultural. A obra custou um milhão de reais aos cofres estaduais.

O Martim Cererê é casa de diversos eventos culturais nas áreas da música, dança, vídeo, cinema e teatro, inclusive de alguns dos famosos festivais de rock alternativo goianienses como o Bananada, o Vaca Amarela, que chegou à sua 12ª edição em um evento de três dias sediado no Martim, e o Goiânia Noise, que vai comemorar seus 19 anos de existência também no Centro Cultural.

“O Martim Cererê tem esse caráter de ser um oásis de cultura bem no centro da cidade, é um espaço de congregação da juventude goiana que atende não só ao rock, mas as artes cênicas, a dança, a MPB”, acrescenta o Gerente de Salas e Espetáculos da Secult Goiás.

O fácil acesso devido à localização próxima à praça cívica e a versatilidade do espaço são pontos relevantes que levaram o Martim Cererê a se consolidar como referência não só em Goiás, mas em todo o Brasil. Hoje, o Martim é mais que um espaço cultural, sendo considerado um símbolo para a história do rock goiano.

“Na minha avaliação, o Centro Cultural Martim Cererê é o principal equipamento cultural do estado de Goiás e um dos principais do país. A localização privilegiada, a característica acústica dos teatros, a possibilidade dos produtores montarem um bar, o pátio, o baixo valor de locação, tudo isso faz do Martim Cererê um ponto privilegiado para trabalhos mais alternativos, mais experimentais, trabalhos de formação”, argumenta Márcio Júnior.

Apesar da recepção calorosa do público, o saldo não é completamente positivo. Nesse pouco tempo de reaberto o Centro Cultural já sofreu com alguns atos de depredação. “Um espaço público de cultura com música tem um desgaste natural e isso é absolutamente compreensível”, explica o Gerente de Salas e Espetáculos.

“O que eu peço ao público encarecidamente é que se você realmente ama o Cererê não tem porquê vandalizar ele e aos produtores peço que se adequem às condições de funcionamento, que tenham mais cuidado com o espaço, porque esse espaço é público, é nosso”, acrescenta Márcio Júnior.

Reforma

Em 2011, último ano ativo do Martim Cererê, existiram quase 140 eventos agendados e mais de 47 mil pessoas passaram por lá. A justificativa para o fechamento do Centro Cultural foi o longo período sem manutenção do espaço e o que a Superintendência de Obras e Recuperação do Patrimônio pretendia com a reforma era solucionar problemas estruturais, principalmente elétricos e hidrossanitáriosdada.

Os reparos estavam previstos para durar 90 dias a princípio e, ao perceber a demora para a entrega do espaço, produtores e realizadores culturais começaram a promover reinvindicações para obter respostas sobre a reabertura do espaço.

O projeto “Um ano sem Martim Cererê” surgiu com o objetivo de fiscalizar o andamento da reforma e logo na primeira edição reuniu mais de 2 mil pessoas na praça localizada ao lado do Centro Cultural. A documentação que autorizava a restauração do espaço só foi liberada após essa primeira manifestação de cobrança popular e a essa altura o Martim já estava fechado há mais de um ano.

Os eventos que normalmente aconteceriam ali tiveram que migrar para outros lugares enquanto o Martim Cererê permanecia fechado, alguns dos substitutos foram o Centro Cultural Oscar Niemeyer e o Centro Municipal Goiânia Ouro.

Histórico

Inaugurado em 1988, o Centro Cultural Martim Cererê foi nomeado a partir do livro homônimo de autoria de Cassiano Ricardo, escritor modernista brasileiro do movimento verde-amarelo. O então Secretário da Cultura do Estado Kléber Adorno foi quem decidiu aproveitar o local das antigas caixas d’água da Saneago (Companhia de Abastecimento de Água de Goiás) como um espaço cultural.

O espaço é composto por três teatros e um bar, todos com nome em xavante: Yguá e Pyguá significam, respectivamente, “lugar de guardar água” e “caverna de água”, Ytakuá, que significa “buraco na pedra”, é o teatro de arena e Karuhá, “lugar de comer”, é o bar. Gustavo Veiga foi o arquiteto responsável pelo projeto que transformou os antigos reservatórios em teatros.

Eventos

Para quem ainda não teve oportunidade de ir matar a saudade do Martim, oportunidade é o que não vai faltar. Ainda esse ano acontecerão diversos eventos por lá, basta procurar a programação e marcar na agenda.

Os eventos de 2014 ainda não estão definidos e Márcio Júnior incentiva quem tiver interesse em usar o espaço para sediar seu evento: “Quem tiver interesse em pleitear uma vaga aqui no primeiro semestre do ano que vem tem que enviar e-mail para pautacerere@gmail.com e nesse e-mail colocar a data do espetáculo, as características, expectativa de público e faixa etária. A solicitação de pauta vai até dia 15 de dezembro”.

Fonte : Fic

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